Ler a trilogia de “50 Tons de Cinza” pode te deixar mais sexista

Por em 13/05/2016

Ler os livros da trilogia 50 Tons de Cinza pode te deixar mais sexista. Pelo menos é o que aponta um estudo da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos.

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Acadêmicos da universidade descobriram os esteriótipos de gênero — dos homens no controle e das mulheres como frágeis e emocionais — são reforçados pela relação entre Christian Grey e Anastasia Steele nos romances eróticos de E.L. James.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores ouviram 747 mulheres de 18 a 24 anos. Elas tinham que escolher um adjetivo (de uma lista de 23 opções) para descrever os livros. Cerca de 40% das participantes tinham lido pelo menos um dos livros, enquanto 60% não leram nenhum. Depois elas completaram a chamada Escala Ambivalente de Inventário do Sexismo, um teste onde avaliavam uma série de declarações sobre a igualdade de gênero.

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Em vez de dar um resultado dizendo se a pessoa é sexista ou não, essa escala aponta se a pessoa é “hostil” ou “benevolente” com atitudes sexistas. Por exemplo, elas tinham que responder se concordam com afirmações como “mulheres exageram os problemas que têm no trabalho” e “muitas mulheres têm uma pureza que poucos homens têm”.

A pesquisa, que foi divulgada na revista Archives of Sexual Behaviour, descobriu que as mulheres que leram os três livros da série fizeram uma pontuação muito mais elevada do que aquelas que não leram nenhum livro. Também foi identificada uma correlação entre as leitoras que descreveram os livros como “românticos” e as que responderam concordando com o sexismo hostil, que é a ideia de que as mulheres são inferiores aos homens. As fãs dos livros também foram mais propensas a concordar que os homens devem amar e mimar as mulheres de uma forma degradante, o que configura o sexismo benevolente.

“Esses resultados foram consistentes com estudos experimentais e correlacionados que indicaram uma associação entre o consumo de mídia de gênero com temas semelhantes a 50 Tons de Cinza e atitudes que dão suporte à violência contra as mulheres”, escreveram os autores do estudo.