Vigorexia: o que é, sintomas e tratamento

Por Mariana Castro em 09/11/2017

É comum, e igualmente preocupante, ouvir falar de mulheres que desenvolveram transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia. Muitas vezes, é possível detectar isso através de seus corpos extremamente magros. Entretanto, o mesmo pode não ser verdade para outro tipo de transtorno, que acomete principalmente os homens: a vigorexia.

Geralmente, a vigorexia, ou Síndrome de Adones, afeta pessoas em ótimo estado físico. “A pessoa se olha no espelho e se vê magra e sem músculos, o que leva à busca incessante pela melhoria de algo que, na maioria das vezes, já está bonito e saudável”, conta o preparador físico Renato Cazula.

+ França aprova lei que proíbe modelos extremamente magras

+ O que comer antes e depois de uma atividade física?

O transtorno é muito mais comum do que se imagina e é fácil encontrar pessoas na academia treinando por horas, ou até mais de duas vezes por dia, em busca do corpo perfeito. “Isso vem aumentando ainda mais nos últimos anos, sustentado pela concepção de ser saudável e fitness que a mídia reforça”, explica o também preparador físico Felipe Kutianski.

Ao notar que uma pessoa não mede esforços para ter um corpo cada vez mais forte e definido, ou que chega a passar por cima de lesões para não parar de treinar, é recomendável ficar alerta. “Os comentários de amigos são os primeiros sinais de que algo deve estar errado, pois quem tem vigorexia irá sempre achar algum defeito em sua forma física”, alerta Renato.

Os sintomas para o transtorno incluem também sentimentos de inferioridade, irritabilidade, depressão, insônia e dietas muito restritivas. O overtraining, que é o excesso de treino, gera consequências que alertam para a condição, como dores constantes, cansaço extremo e a diminuição do desempenho nos treinos.

É comum encontrar pessoas treinando por horas, ou até mais de duas vezes por dia, em busca do corpo perfeito

Uma das consequências mais graves do transtorno é o uso de substâncias anabólicas proibidas, que pode gerar graves danos no organismo. “Em médio e longo prazo, os anabolizantes podem causar problemas renais e hepáticos, depressão e problemas cardiovasculares”, revela Felipe. Outro risco é a colocação de próteses de silicone em regiões de difícil ganho muscular para uma maior satisfação estética.

Para tratar a vigorexia, o mais indicado é buscar um psicólogo e a ajuda de outros profissionais. “O trabalho multidisciplinar nesse caso é fundamental”, explica Felipe. “O treino não precisa ser interrompido, mas deve ser alterado e desenvolvido junto a um psicólogo, médico e nutricionista”, completa.

A falta de informação e, principalmente, de diálogo a respeito do tema são grandes inimigos da vigorexia. Muitos desconhecem o transtorno e, por isso, deixam de diagnosticá-lo. É importante lembrar as pessoas que são muito focadas e dedicadas à academia que tudo em excesso é prejudicial. Além disso, é preciso ficar em alerta para perceber se os hábitos de alguém próximo estão deixando de ser, apenas, uma dedicação com a saúde e estão colaborando para o surgimento de uma doença psicológica.

Fotos: Getty Images