Pesquisadores descobrem “interruptor” no cérebro que desliga para acordarmos

Por Mariana Castro em 04/08/2016

Não há nada melhor do que acordar sem o barulho de um despertador, mesmo que, para a maioria das pessoas, isso aconteça pouquíssimas vezes. Agora, um novo estudo está em curso para descobrir o que leva o nosso cérebro a acordar naturalmente. Isso resolveria o mistério daqueles que planejam dormir por longas horas no domingo, mas acordam cedo sem motivo aparente.

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Os pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acreditam que o cérebro possui um mecanismo similar ao de um termostato, dispositivo que controla a temperatura de determinado espaço. Como um interruptor, esse mecanismo ligaria ou desligaria de acordo com a necessidade do corpo, visando sua estabilidade.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas estudaram os neurônios responsáveis pelo sono das moscas, pois acreditam que estes também se apresentam nos seres humanos. Dessa maneira, se os neurônios estão ativos, a mosca está dormindo e, quando eles estão parados, a mosca está acordada.

Para estimular a atividade desses neurônios, os pesquisadores injetaram dopamina, que é um neurotransmissor que pode ser liberado com o uso de drogas estimulantes, como a cocaína. Essa substância levou os neurônios de controle do sono a pararem suas atividades, fazendo as moscas acordarem. Quando o grupo parava o envio de dopamina, os neurônios voltavam a ficar eletricamente ativos e a mosca dormia.

Isso acontece porque, com a presença da dopamina, o canal iônico, que controla os impulsos elétricos responsáveis pela comunicação das células do cérebro, promove curtos-circuitos nos neurônios que os desligam, levando o animal a acordar. Diogo Pimentel, um dos líderes do estudo, falou: “Descobrir como operar esse interruptor do sono tem nos dado a chance de entender melhor o funcionamento do cérebro”.

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Publicado no jornal Nature, o estudo é um progresso para desvendar o mistério do sono, que é debatido há décadas. Apesar da descoberta do mecanismo similar a um termostato, os pesquisadores ainda não sabem ao certo o que corresponde à temperatura em nosso cérebro. “O sistema mede algo em nosso cérebro que, ao atingir certo nível, nos leva a acordar. A grande pergunta é: o que é medido?”, questionou o professor Miesenböck, um dos autores da pesquisa, ao Daily Mail.

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