O que causa a infecção urinária em mulheres?

Por Mariana Castro em 30/01/2018

Se você nunca teve, ao menos já ouviu falar em alguém que sofreu com infecção urinária. Segundo estudos, metade das mulheres passarão pela chamada infecção do trato urinário (ITU) ao menos uma vez na vida. Dessas, 25% ainda terão o problema de maneira recorrente, ou seja, ao menos três vezes ao ano.

A enfermidade atinge principalmente a bexiga, mas pode acometer também os rins e causar uma infecção generalizada. “A infecção do trato urinário é bastante frequente na mulher devido a fatores anatômicos do corpo feminino, como a uretra curta e a proximidade com a vagina e o ânus”, esclarece o ginecologista Jorge Milhem Haddad, presidente da Sociedade Brasileira de Uroginecologia e Assoalho Pélvico.

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Alguns fatores favorecem o surgimento da infecção, como beber pouca água, segurar a urina, não esvaziar a bexiga antes e depois da relação sexual, incontinência urinária e o desequilíbrio da flora vaginal. Este último, comum em mulheres na pós-menopausa, favorece a proliferação de bactérias na vagina, devido à diminuição de bactérias importantes para o equilíbrio vaginal.

“Na realidade, a causa é, normalmente, a subida da bactéria pela uretra até a bexiga ou os rins. Na grande maioria das vezes, essas bactérias são intestinais”, explica Haddad. Entre os sintomas mais comuns, estão o desconforto e o ardor ao urinar, a frequência urinária, a dor suprapúbica e a urgência miccional, que é a vontade repentina e intensa de urinar. “Devemos lembrar que existem casos da infecção que não apresentam sintomas e que não devem ser tratados a não ser em gestantes ou em pacientes com baixa imunidade”, ressalta o especialista.

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Quando a infecção ocorre pela primeira vez, o tratamento pode ser realizado baseado apenas na queixa clínica. Mas, se for recorrente, o médico deve solicitar exames de urina específicos e, em alguns casos, ultrassonografia de vias urinárias. “O tratamento do episódio agudo deve ser com antibiótico. O ideal é que seja uma dose única ou de curta duração, para diminuir a chance de resistência bacteriana e efeitos colaterais do antibiótico”, pontua o ginecologista.

Para quem sofre com a infecção recorrentemente, além do antibiótico, é recomendado um tratamento preventivo que diminua os episódios da doença. Nesse caso, as recomendações são evitar os fatores de risco. Além de comprometer a qualidade de vida, a infecção urinária dificulta até mesmo o relacionamento de um casal. “Isso acontece porque há desconforto nas relações sexuais durante um quadro de ITU, além de existir uma possível relação entre a atividade sexual com o aparecimento da infecção”, esclarece Haddad.

Foto: Getty Images