O que acontece no corpo da mulher durante a menopausa?

Por Mariana Castro em 24/05/2018

Assim como a primeira menstruação é um momento importante na vida da mulher, a última também é. A menopausa ocorre quando o ovário para de produzir estrogênio, que é o hormônio feminino, causando mudanças no corpo. Como qualquer período de transição, ela vem acompanhada de diversas dúvidas e inseguranças.

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O dia da última menstruação da vida da mulher ocorre, geralmente, entre os 49 e 51 anos de idade. “Uma porcentagem muito baixa pode parar de menstruar antes dos 40 anos, geralmente por motivos genéticos, auto-imunidade ou intervenções médicas, como a retirada dos ovários e quimioterapia”, explica Maria Wender, professora de ginecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Climatério

Muitos misturam o termo menopausa com o momento de transição que ocorre antes, que adapta o corpo a não menstruar mais. Esse período é chamado de climatério e seu tempo é bastante variável, durando, em média, um ano e meio. É durante essa fase que 70 a 80% das mulheres vivenciam os sintomas associados à menopausa.

A mulher entende que está entrando nesse processo quando a menstruação passa a se modificar, com ciclos mais irregulares e fluxos menores. Este é o primeiro sinal de que, no ovário, a produção de hormônios está começando a cair. Depois disso, geralmente, acontecem os fogachos, ou calorões. “Isso é, na verdade, uma vasodilatação, que leva a sensações súbitas de calor e suor, principalmente na face e tronco”, explica a ginecologista.

Poucas mulheres tem a menopausa antes dos 40 anos, e geralmente por motivos desconhecidos ou genéticos

“A sensação dura apenas segundos, mas por ocorrer mais durante a noite, acaba interrompendo o sono da mulher”, continua ela. Por isso, insônia, cansaço e memória ruim são sintomas frequentes, também ligados à queda do hormônio feminino. É comum experienciar alterações de humor, como irritabilidade, tristeza e depressão, principalmente nas mulheres que se queixam de TPM intensa ou que já tiveram depressão pós-parto.

“Quando os sintomas são muito intensos e duradouros, é recomendada a reposição hormonal”, indica Maria. “Mas, na maioria dos casos, a tendência é ir diminuindo com o tempo, conforme o corpo se acostuma com a queda dos hormônios”, completa.

Pós-menopausa

Quando a mulher tem sua última menstruação, entra no período pós-menopausa, no qual o estrogênio não atua mais no corpo. As mudanças geram alerta para condições como osteoporose, por exemplo, que um terço das mulheres apresenta pós-menopausa. “Mais uma vez, isso é gerado pela falta do hormônio feminino no corpo, que tem função essencial também para os ossos”, revela Maria.

A pele tende a ficar mais seca, além do ressecamento vaginal que também pode ser tratado com a reposição hormonal. “Muitas mulheres se queixam da queda na libído, mas isso não tem relação com a menopausa e pode ser observado com o avanço da idade, tanto nos homens quanto nas mulheres”, esclarece a especialista.

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Uma transformação corporal que merece atenção é a tendência a acumular gordura na região do abdômen, que passa a acontecer no período pós-menstrual. “Essa gordura tem muita relação com o risco cardiovascular, pois produz substâncias inflamatórias que podem gerar placas nas artérias”, alerta Maria. É importante entender que a mudança na distribuição da gordura corporal da mulher tem a ver com a menopausa, mas o aumento de peso não, pois é consequência de um metabolismo mais lento.

Para se manter saudável na pós-menopausa, é necessário manter um peso adequado, com dieta balanceada e evitando açúcar, carboidrato e gordura em excesso. “Também é fundamental fazer atividades físicas pelo menos três ou quatro vezes por semana, além de manter um bom sono para ter mais energia durante o dia”, aconselha a professora. Por fim, a partir desse momento a mulher deve estar atenta aos fatores de risco para doenças cardiovasculares e cânceres, mantendo em dia os exames de acordo com seu perfil.

Fotos: Getty Images