O que acontece com o corpo durante o ciclo menstrual?

Por Mariana Castro em 25/10/2017

Culturalmente, a mulher é ensinada a não explorar sua região íntima. Tanto na questão de higiene quanto na questão erógena. Uma pesquisa realizada pelo site de maternidade Trocando Fraldas revelou que metade das doze mil mulheres entrevistadas não sabem quando estão em seu período fértil.

Isso alerta para o fato de que as mulheres não conhecem seu corpo, nem por fora e nem por dentro. “A educação sexual e fértil ajuda não somente a engravidar ou evitar a gestação, mas é fundamental para o diagnóstico de possíveis problemas”, conta o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães. “A mulher que conhece o próprio corpo saberá que algo não está bem e irá buscar ajuda”, ressalta ele.

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Um dos primeiros passos para esse autoconhecimento é se conectar com o seu ciclo menstrual, que pode dizer muito sobre suas vontades, estados de humor e alterações corporais. Assim como as estações do ano e da lua, por exemplo, o corpo da mulher também funciona em ciclos, geralmente com duração de 28 dias. “Um ciclo menstrual é determinado pelo período entre o primeiro dia de uma menstruação e o primeiro dia da próxima”, explica Alberto.

Fases do ciclo menstrual

  • Período menstrual

O ciclo se inicia com a menstruação. O útero, até então, estava trabalhando para receber um embrião e gerar um ser humano. Mas, quando a fecundação não acontece, ele descama e o endométrio sai pelo canal vaginal. Isso dura de três a cinco dias, geralmente, período em que o corpo passa a produzir maior quantidade do hormônio estrógeno. Nesses dias, a mulher pode sentir cólicas, pois o corpo está forçando a liberação desse revestimento que se acumulou no mês anterior. É importante observar a intensidade do fluxo e os aspectos do sangue, como cor, textura e cheiro, para ficar atenta a qualquer alteração que demonstre irregularidades.

  • Fase Folicular

Nesta fase, o corpo já está se preparando para a ovulação. “A mulher poderá observar uma secreção vaginal mais pegajosa e grudenta, semelhante à clara de ovo”, revela o ginecologista. Durante toda essa fase, o hormônio predominante continua sendo o estrógeno, responsável pelas características femininas das mulheres – como tamanho do seio e textura da pele. Esse hormônio prepara o útero para gerar o óvulo, que poderá ser fecundado durante a ovulação. “Algumas mulheres, quando vão ovular, podem chegar a sentir uma leve dor em um dos lados da pélvis porque é daquele lado do ovário que está ocorrendo a ovulação”, revela Alberto.

  • Ovulação

A ovulação ocorre na metade do ciclo e é quando a mulher tem maiores chances de engravidar. Em um ciclo de 28 dias, isso corresponderia ao 14º dia do ciclo menstrual. Normalmente, o óvulo sobrevive 24 horas dentro do ovário e poderá ser fecundado se entrar em contato com o espermatozoide, que dura até cinco dias dentro do corpo da mulher. Mas, no caso de ciclos irregulares, não é possível identificar o dia da ovulação com precisão.

Para nível de cálculo, define-se o período fértil da mulher entre o 11º e o 17º dia do ciclo, ou seja, três dias antes e três dias depois da ovulação. “Durante esse período, a mulher está com maior apetite sexual e, portanto, mais suscetível a aceitar provocações do parceiro”, lembra o especialista. Além disso, a secreção vaginal fica mais cristalina e a temperatura corporal aumenta cerca de meio grau. “Mas, para perceber isso, é preciso medir a temperatura no mesmo horário e nas mesmas condições diariamente”, alerta Augusto.

  • Fase Lútea

A partir da ovulação e durante esta fase, o hormônio predominante é a progesterona, produzida por um folículo deixado pelo óvulo. São os efeitos desse hormônio no cérebro que causam a famosa tensão pré-menstrual, conhecida como TPM. As características principais desse período são alterações de humor e emoções, esquecimento e irritabilidade. Também ocorrem variações corporais, como maior retenção de líquido e mamas regurgitadas.

Nesse momento, o corpo está preparando a camada interna do útero para a fecundação. Na possibilidade de uma gravidez, o óvulo fecundado irá para o útero e se prenderá a essa camada interna. Se não for fecundado, o folículo deixado no ovário diminuirá, assim como os níveis de progesterona e estrógeno. Sem esse suporte para manter a camada de revestimento do útero, ela descamará, iniciando uma nova menstruação e um novo ciclo.

O que causa um ciclo irregular?

O ciclo menstrual é uma tradução da atuação dos hormônios no corpo. Uma vez que diversos fatores podem influenciar a liberação dessas substâncias, é possível que ele se torne irregular. O estresse é a principal interferência no funcionamento hormonal do nosso corpo. “Outras causas disso são a obesidade e outras condições de saúde, como os ovários policísticos”, revela o ginecologista. “Nesses casos, é importante consultar um médico para investigar melhor as consequências disso para o corpo”, completa.

No caso de mulheres que tomam pílula anticoncepcional, a irregularidade não acontece e elas não correm o risco de engravidar porque os hormônios predominantes em cada fase são distribuídos ao longo do ciclo inteiro. “Isso impede as variações hormonais que levam as mulheres a ovularem”, explica Augusto.

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Para entender o funcionamento do seu corpo e se prevenir ou estimular uma gravidez, é fundamental ficar atenta ao ritmo do seu ciclo. “Você consegue perceber que mudanças no tipo de secreção vaginal, por exemplo, não sugerem, necessariamente, que algo está errado na região”, revela o especialista. Por isso, ele aconselha mães a estimularem suas filhas a irem no ginecologista após a menarca, que é a primeira menstruação. Assim, elas poderão entender de forma didática as mudanças que acontecerão no corpo dali para a frente. “Essa é a oportunidade de criar um espaço a favor da informação, deixando claro que há um lugar em que ela pode conversar sobre suas questões sem ser julgada ou reprimida”, conclui ele.

Foto: Getty Images