Herpes: tipos, causas e tratamentos

Por Mariana Castro em 27/09/2017

A herpes tem chamado atenção da população por seu alto grau de incidência. Apesar de não apresentar, na maioria dos casos, sérios riscos para a saúde, a doença incomoda por não ter erradicação. Sem cura para a herpes, é importante saber os cuidados para evitá-la e entender como lidar com a manifestação do vírus na pele.

A doença infecciosa viral aparece através de pequenas bolhas de água. Chamadas de vesículas, essas bolhas se reúnem, geralmente, em grupos de cinco a dez ao redor de orifícios, como boca, anus e vulva, por exemplo. Menos frequentemente, elas também podem aparecer em qualquer outra região do corpo. Algumas vezes, anunciando sua chegada, pode surgir vermelhidão, ardor ou uma discreta dormência na região.

Uma vez que o vírus passa dessa fase ativa, em que está exposto, ele entra em um quadro de latência. “Isso se assemelha a uma hibernação, então o vírus fica quietinho. Quando as defesas do organismo são comprometidas, ele volta a se manifestar”, explica Clívia Oliveira Carneiro, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Estresse, traumatismo no local, febre, infecção, menstruação ou qualquer grau de imunossupressão, além de exposição solar, são fatores que desencadeiam a manifestação da herpes. É por conta disso que a doença não é considerada curável, uma vez que, mesmo após o período de ferida ativa, o vírus continua no organismo.

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Mas, é importante esclarecer que a fase contagiosa se dá apenas enquanto a lesão está na pele. Uma vez cicatrizada, o paciente não passa a herpes para outras pessoas. “A primeira infecção acontece através do contato direto entre uma pessoa sadia e uma que apresenta o quadro dermatológico naquele momento, ou seja, as vesículas”, explica a dermatologista. Isso pode acontecer através do beijo ou do contato da pele com o local da lesão, ou de forma indireta, através do uso de batom, copo, ou qualquer objeto que tenha entrado em contato com a ferida e seja utilizado pela pessoa sadia logo em seguida.

Existem dois tipos de herpes simples: o quadro extragenital, também chamado de herpes oral ou herpes tipo 1, e o quadro genital, que é do tipo 2. “Os sintomas são parecidos, mas acometem regiões diferentes”, conta Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Através de relações sexuais sem proteção, o vírus pode ser transmitido para a parte do corpo em que entrou em contato, como na via oral, por exemplo. “Portanto, apesar de ser mais comum na região genital, é possível ter herpes tipo 2 na região oral e vice-versa”, esclarece o especialista. A doença se manifestará da mesma forma e o único jeito de saber o tipo é através de testes de laboratório.

Nesses casos, é importante lembrar que a herpes não se manifesta de forma imediata, tendo um período de latência. “Você pode adquirir durante o ato, mas, se seu organismo estiver com uma boa imunidade, ela não se manifestará”, alerta Clívia. “Quando a imunidade baixar, a ferida pode aparecer e, por isso, muitas vezes é difícil fazer a relação de quem transmitiu o vírus”, completa ela. Portanto, é importante evitar o contato com pessoas que têm a doença ativa e utilizar métodos de barreira durante as relações sexuais.

Através de relações sexuais sem proteção, o vírus pode ser transmitido para a parte do corpo que entrou em contato com a infecção

Além disso, ao saber que você contém o vírus, é importante tomar cuidado para evitar fatores que abaixem a imunidade. Isso pode ser feito através da mudança de hábitos, terapias específicas, vitaminas e medicações. Uma vez apresentando a ferida, é importante tratá-la imediatamente para que cicatrize o mais rápido possível. “Os medicamentos anti-herpéticos têm ação efetiva contra o vírus, além de poucos efeitos colaterais”, diz a especialista. As bolhas de água saem espontaneamente em um período de 7 a 10 dias, mas ao tratar com pomadas ou comprimidos adequados, dentro de 24 a 48 horas da manifestação, esse espaço de tempo e a replicação viral diminuem.

“Dentre as complicações possíveis, a meningite herpética é a mais grave”, alerta Jacyr. “Em pacientes imunodeprimidos, os vírus podem gerar lesões sistêmicas e se tornarem uma doença grave”, completa. Esse é o caso de pacientes com câncer ou que utilizam medicações que baixam a imunidade, como corticoide, por exemplo. Para eles, a lesão será muito mais exuberante e persistente, demorando mais para cicatrizar. Lesões secundárias em pacientes comuns também podem acontecer, mas não são frequentes. Nesses casos, é preciso tratar o vírus e também a bactéria em questão com o uso de antibióticos.

Herpes Zoster

Essa doença é causada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da varicela, popularmente conhecida como catapora. Pessoas que já sofreram com a doença, ficam com o vírus adormecido no organismo. Quando ele incide pela segunda vez no corpo, se manifesta como herpes zóster. “Em geral, isso acontece depois de muito tempo do caso de catapora”, explica Jacyr.

Esse tipo de herpes infecta, primeiramente, um nervo e, depois, causa a lesão na pele. Por isso, muitas vezes seu diagnóstico vem de forma tardia, pois as pessoas não relacionam a dor no nervo a um caso de herpes. O processo de cicatrização, por sua vez, acontece ao contrário, cicatrizando a pele primeiro e, depois, o nervo. “É comum, portanto, que a dor no nervo persista”, alerta Clívia. “A principal complicação decorrente disso é a neuralgia pós-herpética, uma dor que pode ter um curto período agudo ou se tornar crônica”, complementa.

Hoje em dia, por conta das vacinas, casos de catapora já não são tão recorrentes. A zóster, entretanto, continua sendo frequente, por ser uma segunda manifestação do vírus. Geralmente, ela acomete pessoas com mais de 50 anos, sendo necessário investigar o motivo da queda de imunidade que deu espaço para a manifestação do vírus. Para o tratamento, são necessárias doses maiores de antivirais e, caso a neuralgia se instale, medicamentos específicos para tratar o nervo.

Fotos: Getty Images