Glaucoma: sintomas, causas e tratamento

Por Patricia Machado em 04/09/2017

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil já registra mais de 1 milhão de casos de glaucoma. A estimativa é que, até 2020, cerca de 50 milhões de pessoas no mundo desenvolvam a doença, que pode causar cegueira irreversível.

O glaucoma é uma doença que degenera o nervo óptico. Ele é responsável por levar os estímulos visuais ao cérebro. Por causa disso, se não tratada, a doença começa a causar a perda da visão periférica, podendo evoluir para a perda total da visão.

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“Essa doença faz com que as fibras do nervo óptico sejam danificadas de maneira lenta e progressivamente, criando pontos cegos que não podem ser recuperados. O que torna essa doença bastante perigosa é que, no início, ela é bastante sutil. Há casos em que o paciente já perdeu 40% da visão e ainda não percebeu que está com a doença”, explica Renato Neves, cirurgião-oftalmologista e diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos.

A doença é silenciosa e quase imperceptível porque, como a alteração do nervo óptico não dói, o paciente não costuma ter queixas e não percebe mudanças na visão. “A perda da visão começa da periferia para o centro, o que também não incomoda muito o paciente”, afirma Emílio Rintaro Suzuki Jr, secretário geral da Sociedade Brasileira de Glaucoma.

Na maioria dos casos, o glaucoma é causado por um aumento da pressão intraocular, que será responsável pela degeneração do nervo óptico. Existem dois tipos da doença: glaucoma de ângulo aberto e de ângulo fechado. A primeira é mais comum e representa mais de 80% dos casos. Ela geralmente está relacionada ao processo de envelhecimento. Já o glaucoma de ângulo fechado costuma ocorrer quando a pressão do olho aumenta rapidamente, causando visão embaçada ou perda súbita de visão, dor forte no olho, dor de cabeça, halos ao redor da luz e incômodos como náuseas e vômitos.

O glaucoma é uma doença silenciosa e quase imperceptível

Apesar de ser muito comum na terceira idade, a doença ocular pode acometer qualquer pessoa, incluindo bebês. Por isso, é importante ficar atento aos fatores de risco: histórico familiar, descendência africana, idade avançada, diabetes e obesidade.

“O check-up ocular é fundamental para prevenir e controlar a perda de visão. Quem tem menos de 40 anos e não se enquadra nos fatores de risco devem realizar os exames preventivos a cada quatro anos. Dos 40 aos 64 anos, os exames devem ser feitos a cada dois anos. Já quem passou dos 65 deve examinar a visão uma ou duas vezes por ano”, orienta Renato.

Apenas o oftalmologista é capaz de identificar a doença. Isso é feito através de inúmeros exames. Como não é possível reverter a perda de visão ocasionada pela doença, o objetivo do tratamento é controlar a pressão intraocular e impedir o avanço do problema. Na maioria dos casos, isso é conquistado com o uso de colírios. Mas, o paciente também poderá passar por uma cirurgia a laser ou transplante.

“O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível, segundo a Organização Mundial da Saúde. Se o diagnóstico precoce for feito, muitas vezes não há o comprometimento das atividades diárias”, explica Emílio. “O paciente com glaucoma não tem restrição alimentar e a realização de atividades físicas favorece o controle da pressão intraocular”, completa.

Fotos: Getty Images