Fertilização in vitro: saiba tudo sobre essa técnica de reprodução assistida

Por Mariana Castro em 19/01/2018

Muitos casais sonham com o momento de expandir a família e ter um filho. Quando se sentem prontos para isso, pode ser uma grande frustração não conseguir gestar. Para as mulheres que sempre desejaram viver o processo da gravidez, esse é o momento de respirar fundo e considerar as outras opções disponíveis atualmente.

São considerados inférteis os casais que estão há um ano mantendo relações frequentes, sem métodos contraceptivos, tendo a mulher menos de 35 anos e ciclo menstrual regular. Para mulheres entre 35 e 43 anos, esse tempo é de seis meses. A partir dessa idade, as chances de gravidez caem para apenas 5%. Nessas circunstâncias, é aconselhável procurar um especialista pois, além da adoção, existem as chamadas técnicas de reprodução assistida, que viabilizam a gestação.

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Diversos fatores devem ser considerado para decidir entre os métodos de reprodução assistida. Uma das opções mais comuns é a inseminação intrauterina, procedimento de baixa complexidade com 15% de eficácia em mulheres jovens. Nele, os folículos, estrutura que comporta o gameta feminino, são estimulados e o sêmen é introduzido no corpo, esperando que o processo natural de fertilização aconteça a partir daí. Se o diagnóstico da mulher permitir, ela pode optar por esse método por ser mais simples.

“O outro método de reprodução assistida é a fertilização in vitro, em que as chances de sucesso são de, aproximadamente, 40% para mulheres até 35 anos”, conta Renato de Oliveira, responsável pela parte de reprodução humana da Criogênesis. Após essa idade, a eficácia vai diminuindo, mas as chances continuam sendo maiores do que na inseminação devido à forma que o método funciona.

Como funciona a fertilização in vitro?

Considerada uma técnica de alta complexidade, a fertilização in vitro estimula os ovários através de altas doses hormonais, fazendo com que cresçam vários folículos. “Através de exames de ultrassom, os médicos determinam o momento para submeter a mulher à pulsão dos folículos, que serão fertilizados fora do corpo dela, em uma placa de vidro”, explica Renato. Depois de um prazo de três a cinco dias avaliando o desenvolvimento dos embriões, a mulher passa por um procedimento hospitalar para transferir esses embriões para o útero.

Esse método é indicado para casais em que procedimentos de baixa complexidade falharam ou que precisam fazer seleção embrionária por ter alguma doença que possa comprometer a vida da criança, como fibrose cística ou distrofias musculares, por exemplo. Mulheres com endometriose ou dificuldade para ovular e homens com varicocele, que é a formação de varizes nos testículos, e baixa concentração de espermatozóides também devem considerar.

“Mulheres até 50 anos estão aptas a passar pelo procedimento, que pode ser feito após essa idade em caso de consentimento médico”, revela o especialista. Não existem contraindicações, mas ele é ineficaz em algumas situações, como em mulheres que tiveram menopausa precoce. Ao optar por essa técnica, o primeiro cuidado do casal é procurar um especialista experiente, fazer os exames prévios para identificar a causa da infertilidade e, a partir disso, seguir as orientações do médico. “É fundamental a escolha de um bom laboratório, que cuide da evolução dos embriões, pois isso tem forte impacto na qualidade do tratamento”, alerta Renato.

O método é indicado para casais em que procedimentos de baixa complexidade falharam ou que precisam fazer seleção embrionária por ter alguma doença que possa comprometer a vida da criança

É muito comum associarmos a reprodução assistida à gravidez de gêmeos e até trigêmeos. Mas, hoje em dia, a tendência é transferir cada vez menos embriões para o útero da mulher. “Em mulheres em que as chances de sucesso são menores, como as com idade acima de 40 anos, é possível transferir até quatro embriões”, explica o especialista. “Entre 35 e 40 anos, entretanto, costuma-se transferir três ou dois. Já nas menores de 35 anos, caso o embrião seja de boa qualidade, a tendência é transferir apenas um”, completa ele. Por isso, as chances de ter gêmeos ou trigêmeos diminuíram para apenas 10% hoje em dia.

Atualmente, no Brasil, são realizados, em média, entre 25 e 30 mil procedimentos por ano, segundo as instituições controladoras. “A estimativa é de que 200 mil pessoas precisariam da fertilização in vitro para engravidar, mas apenas o número divulgado consegue ter acesso ao tratamento”, fala Renato. Isso acontece pois, por ser realizado em hospital, exigindo equipamentos e sala cirúrgica, o preço do tratamento é mais caro do que o de outras técnicas de reprodução.

Fotos: Getty Images