Descoberta de sistema de arquivamento no cérebro pode afastar pensamentos desagradáveis

Por Mariana Castro em 20/10/2016

Assim como você guarda cartões de aniversário em uma pasta e documentos de banco em outra, o cérebro também mantém separadas boas e desagradáveis informações. Um novo estudo revelou que experiências prazerosas são armazenadas em uma parte da amígdala, que é um importante centro de memória no cérebro, enquanto experiências negativas são armazenadas em outra área.

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Cientistas do RIKEN-MIT Centre for Neural Circuit Genetics, no Japão, também descobriram que neurônios positivos e negativos são diferentes geneticamente e podem ser manipulados para alterar certos comportamentos. Apesar do estudo ter sido feito com ratos, os pesquisadores acreditam que a descoberta de um sistema de arquivamento poderá ser aplicada a humanos e, no futuro, levar à cura da depressão.

Para identificar onde agiam os neurônios positivos e negativos, os ratos foram expostos a choques elétricos na pata, como uma experiência desagradável, e a companhias de ratos fêmeas, que foi uma experiência positiva. Cada uma das experiências deixou sua marca na amígdala, ativando neurônios em regiões distintas dela.

Os roedores ainda foram treinados a realizar certas tarefas quando submetidos às experiências, como ficar imóveis ao receber o choque elétrico. Mas, estimulando com luzes os neurônios associados ao comportamento em questão, era possível enfraquecê-lo, mesmo quando o rato já estava treinado a realizar.

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Isso significa que estimular os neurônios poderia enfraquecer o significado de experiências positivas ou negativas nas memórias armazenadas. “Pelo menos para a depressão causada por estresses e traumas, esse experimento pode apresentar uma forma de cura”, falou Susumu Tonegawa, líder do estudo, ao MailOnline.