Depressão na terceira idade: sintomas e tratamento

Por Mariana Castro em 27/04/2017

Envelhecer não é um processo fácil. Limitações físicas, problemas de saúde, diminuição da capacidade mental, perda de pessoas da sua geração: tudo isso contribui para que mais de 15% dos idosos que vivem em casas de repouso apresentem sintomas de depressão.

+ Brasil tem o maior número de casos de depressão na América Latina, diz OMS

+ Estudantes criam canal no YouTube focado na terceira idade

A idade em si não é um fator de risco para o desenvolvimento do transtorno, mas as situações associadas a ela, como conviver com doenças crônicas e ficar viúvo, tornam os idosos mais vulneráveis. Com a chegada da idade, as pessoas também desempenham menos funções e ficam menos ativas. O sentimento de falta de utilidade faz com que muitas percam sua identidade, desencadeando um quadro de depressão.

Com isso, se tornam frequentes episódios de hipocondria, baixa autoestima, sentimentos de desvalia e tendências auto-acusatórias. “O idoso se culpa demais por fatos do passado, acusando a si mesmo pelas faltas que cometeu em outras fases da vida”, explica a psicóloga Lizandra Arita.

Para diagnosticar a depressão em idosos, é necessário estar atento a alguns sintomas. “Os sinais comuns dos transtornos depressivos incluem energia e concentração reduzidas, perturbações do sono (especialmente despertar muito cedo e acordar diversas vezes durante a noite), apetite reduzido, perda de peso e queixas somáticas”, conta a especialista.

Tratamento

A depressão entre os idosos, se não tratada, pode evoluir rapidamente para casos mais graves, como alguns transtornos (delirante, de ansiedade e obsessivo-compulsivo), evoluindo até, em casos mais severos, para o suicídio. “Também é comum que eles se entreguem, fiquem sem comer e em estado bastante abatido, o que facilita a chegada de quadros físicos mais drásticos”, afirma Lizandra.

Nesse caso, o papel da família é fundamental para ajudar o idoso a sair do quadro depressivo. Ele precisa se sentir amado e acolhido, pois é com a família que ele se lembra do quanto é útil e como construiu algo grandioso. “Os familiares podem contribuir levando o idoso para eventos sociais, familiares e passeios (teatro, cinema, parque, restaurantes ou exposições, por exemplo), compartilhando trabalhos que ele possa fazer e solicitando a ajuda dele”, aconselha a psicóloga.

+ Sedentarismo aumenta o risco de demência, conclui pesquisa

O tratamento demanda o trabalho de uma equipe multidisciplinar, que inclui o psicólogo, para a questão emocional, o psiquiatra, para a questão medicamentosa, e o médico geriatra, que já conhece a saúde física do idoso, seus antecedentes médicos e os remédios que ele utiliza. “Além de melhorar as relações interpessoais, a psicoterapia é importante pois aumenta a autoestima e a autoconfiança, diminui os sentimentos de desamparo e raiva e melhora a qualidade de vida do idoso”, afirma Lizandra.

É preciso que eles sejam muito bem assistidos para que não sofram com efeitos colaterais causados pelos antidepressivos. “A saúde de muitos não tolera uma elevação repentina no nível de substâncias no sangue. Por isso, os profissionais devem observar qualquer alteração, principalmente na pressão arterial e na frequência cardíaca”, diz a especialista.

Síndrome de demência da depressão

Essa síndrome, também conhecida como pseudodemência, afeta cerca de 15% dos idosos com depressão. Uma vez que ela tem sintomas parecidos com a demência comumente vista em idosos, é necessário ficar atento para não diagnosticar erroneamente o paciente.

Nela, os déficits de atenção e concentração variam, enquanto na demência comum esse prejuízo passa a ser constante. Além disso, nessa condição, aumenta a dificuldade de recordações livres, mas não tanto em testes de memória. “Comparados com pacientes que têm demência verdadeira, os pacientes com pseudodemência têm menor probabilidade de dizer ‘eu não sei’”, explica a psicóloga.

Foto: Getty Images