Como combater a insônia?

Por Mariana Castro em 07/12/2017

A maioria das pessoas já teve uma daquelas noites em que se revira na cama por horas e o sono parece não chegar por nada. É a temida insônia, condição muito comum que traz consequências nada agradáveis na manhã seguinte. Segundo especialistas, cerca de 20% das pessoas que sofrem de insônia crônica desenvolvem depressão – e é por isso que a condição não deve ser ignorada.

O problema pode acontecer de três formas: a fase inicial faz com que a pessoa tenha dificuldades para pegar no sono, a intermediária é responsável pelo sono interrompido de forma constante e a insônia terminal provoca o despertar muito antes da hora de acordar. “Ainda há a distinção de insônia aguda, que dura aproximadamente três semanas, e crônica, que é acima deste período”, explica Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Medicina do Sono, com sede em Campinas e Piracicaba.

+ Como ter uma boa noite de sono?

+ Como funciona a melatonina, o “hormônio do sono”?

As consequências das noites em claro podem ir de irritabilidade ou mau humor passageiro até dificuldade em relacionamentos. “Cansaço, dores no corpo, déficit de atenção e capacidade produtiva reduzida também podem ser sinais de insônia”, relata o especialista em sono. Com o tempo, a condição pode chegar a afetar a circulação sanguínea e o coração.

Para diagnosticá-la, é preciso fazer uma anamnese, que se caracteriza por uma conversa que levanta informações sobre os hábitos de sono e rotina do paciente. Quando há suspeita da presença de algum distúrbio do sono, exames complementares, como a polissonografia, são necessários para estabelecer o diagnóstico e a melhor forma de tratamento.

Causas

Mulheres têm um risco de insônia pelo menos 1,3 vezes maior do que os homens. Pessoas com idade avançada também são um grupo de risco para a condição, que pode atingir, inclusive, crianças. “Diversos fatores podem influenciar o sono”, conta Shigueo. “A insônia esporádica geralmente ocorre por algum motivo externo, como noites muito quentes e ruídos no ambiente”, completa.

O uso de medicamentos deve ser investigado como uma das causas da insônia, uma vez que alguns, como o corticóide, por exemplo, podem gerar o problema. Hábitos alimentares, como o consumo de alimentos estimulantes e bebidas com alto teor energético, principalmente à noite, também podem prejudicar o sono. Fique atento à ingestão de café, refrigerante, chocolates e guloseimas, que provocam agitação e podem dificultar o descanso.

A insônia também pode atingir as crianças, que têm o sono afetado por novas experiências ou grandes mudanças de vida

Em alguns casos, a insônia pode ser um sintoma de doenças do sistema nervoso central, das vias aéreas ou das vias sistêmicas. “A apneia do sono e a mioclonia noturna, que são contrações musculares involuntárias principalmente nas pernas, além de doenças com dor crônica, como reumatismos e fibromialgia, também são algumas das causas da condição”, alerta o neurologista.

Outro fator que pode provocar a insônia – e é considerado uma das principais causas – é o estresse. Por isso, a correria do dia a dia, dificuldades financeiras, problemas no trabalho e no relacionamento, além de outras preocupações, podem ter como consequência a dificuldade para dormir. “No caso das crianças, experiências novas ou mudanças de vida, como trocar de casa ou a morte de um membro da família, por exemplo, podem interferir no sono”, revela Shigueo.

Tratamento

Uma das melhores formas de combater a insônia é prevenindo os fatores que a desencadeiam. Por causa disso, é importante cuidar da higiene do sono, mantendo um horário regular para dormir e acordar. Evite refeições pesadas e exercícios vigorosos perto do horário de dormir. Também tente não ver televisão, estudar, ler e trabalhar em notebooks na cama.

“Para as crianças, é importante evitar jogos eletrônicos ou brincadeiras agitadas”, indica o especialista. “Em muitas famílias, a insônia pode ser corrigida com a mudança de hábitos”, completa. As condições do quarto, como iluminação em excesso, ruídos e temperatura inadequada, podem ter grande influência. Por isso, a recomendação é mantê-lo calmo, arejado e escuro, sendo convidativo para o sono.

+ 7 dicas para você dormir bem e mais rápido

Por fim, o especialista em sono dá uma dica valiosa sobre o que fazer no momento da insônia: se acordar à noite e não conseguir voltar a dormir após vinte minutos, o ideal é não ficar na cama olhando para o relógio. “Leia um livro ou ouça uma música relaxante, evitando o brilho da tela da televisão ou do celular, que pode estimular o cérebro e mantê-lo acordado”, aconselha Shigueo. Volte para cama quando se sentir sonolento novamente. “Um copo de leite morno também pode ajudar. O alimento possui triptofano, que é um precursor de serotonina, neurotransmissor fortemente associado ao relaxamento profundo”, conclui ele.

Fotos: Getty Images