Como identificar um caso de apendicite?

Por Patricia Machado em 18/10/2017

É comum conhecer pessoas que tiveram apendicite e, por isso, precisaram fazer uma cirurgia para retirar o apêndice. O problema, se não tratado, pode causar inúmeras complicações. De acordo com dados oficiais, a incidência de casos de apendicite no mundo é de 8,7% ao ano. A frequência é maior em países com uma dieta pobre em fibras, como os Estados Unidos, Canadá e Brasil.

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“A apendicite é o resultado da inflamação aguda do apêndice que pode ocorrer desde a idade mais jovem até pacientes centenários”, explica Antonio Luiz Macedo, cirurgião gástrico do Hospital Israelita Albert Einstein. O apêndice é uma extensão da primeira porção do intestino grosso. Na maioria das vezes, o problema é causado pela obstrução da luz na região, que pode ser fruto de uma inflamação ou do acúmulo de resíduo fecal.

“A incidência da doença tem o seu pico em pacientes com idade entre 10 e 14 anos, no caso do sexo feminino, e entre 15 e 19 anos, no caso do sexo masculino. Ter uma dieta pobre em fibras pode colaborar para o aparecimento da apendicite”, afirma o especialista.

No início do aparecimento da apendicite, o paciente costuma sentir uma forte dor no estômago, que pode ser similar a casos de gastrite ou intoxicação alimentar. No entanto, após algumas horas, essa dor estará localizada no abdômen inferior, principalmente do lado direito. Nesse estágio, é importante que a pessoa seja encaminhada para o hospital.

“O diagnóstico é feito através de um exame clínico especializado e exames de hemograma e proteína C reativa. Também pode ser realizado ultrassonografia ou tomografia”, diz Antonio Luiz. “Caso o apêndice se rompa, isso pode causar uma  infecção abdominal localizada ou uma infecção generalizada, acarretando uma peritonite”, completa. A peritonite é a inflamação da membrana que reveste a parede abdominal e cobre os órgãos abdominais.

Ao descobrir que o paciente está com apendicite, dois tipos de tratamentos podem ser ministrados. Um deles é através do uso de antibióticos. Já o outro método soluciona o problema de saúde através de um cirurgia para retirar o apêndice. “Embora existam trabalhos patrocinados por indústrias de antibióticos, aconselho operar e não administrar antibióticos, pois o risco de recidiva é muito grande”, orienta o especialista.

Caso a pessoa realize a operação de retirada do apêndice, ela pode ter uma vida normal. Além disso, o procedimento não deixa nenhuma sequela. Em pouco tempo, ela pode voltar as suas atividades diárias. “É possível prevenir a apendicite ao ter uma dieta rica em fibras, sem abuso de açúcar e farinha branca”, diz Antonio Luiz.

Foto: Getty Images