Câncer infantil: sintomas, causas e tratamento

Por Patricia Machado em 16/10/2017

Segundo estimas do INCA (Instituto Nacional do Câncer), cerca de 12 mil novos casos de câncer infantil são registrados no Brasil a cada ano. O número é alto, no entanto, a doença é considerada rara pelos médicos por representar apenas 3% do total de casos de câncer no mundo.

“O câncer é uma proliferação celular descontrolada que ocasiona a alteração de órgãos e sistemas onde ele está crescendo. O câncer infantil atinge crianças entre 0 e 19 anos”, explica Robson Coelho, oncologista pediátrico do Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos. “Apesar de ser uma doença rara, sua importância reside na mortalidade. O câncer infantil é a doença que mais mata as crianças, perdendo apenas para causas externas, como acidentes”, completa.

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Inúmeros fatores podem causar o câncer infantil e muitos ainda não são conhecidos pelos médicos especializados na doença. Muitas vezes, o problema é desencadeado por uma infecção viral. Além disso, algumas síndromes genéticas predispõem o aparecimento do câncer.

“Na maioria dos casos, o tumor pediátrico se desenvolve com uma velocidade maior do que o tumor adulto. Por isso, é importante detectar a doença no seu estágio inicial. Isso será capaz de aumentar as chances de cura”, alerta Viviane Sonaglio, onco-pediatra do Hospital da Criança, da Rede D’Or São Luiz.

No início da doença, os sintomas são pouco específicos e se assemelham aos sintomas das doenças pediátricas. Os pais devem ficar atentos quando o pequeno apresentar manchas roxas pelo corpo, sangramento inexplicado, febre que não cede com antitérmicos e antibióticos, ínguas pelo corpo (aumento dos gânglios), dor nos membros, massas ou caroços pelo corpo, emagrecimento e vômitos.

“Se o quadro estiver fugindo do padrão e a criança não estiver respondendo ao tratamento prescrito, o médico deve fazer uma investigação detalhada para ver o que pode estar acontecendo. Nesses casos, a possibilidade de ser um câncer deve ser analisada”, diz Viviane.

O câncer infantil é a segunda causa de morte entre as crianças

O tipo de câncer mais comum é a leucemia, que representa 30% dos casos, seguido pelos tumores de sistema nervoso central, linfoma, neuroblastoma (câncer que costuma ser encontrado nas glândulas adrenais), tumor de Wilms (tumor renal), rabdomiossarcoma (tumor que atinge as células que se tornam músculos do corpo), osteossarcoma (câncer ósseo), hepatoblastoma  (tumor do fígado), retinoblastoma (tumor na retina) e tumor de células germinativas .

“O diagnóstico dependerá do tipo de câncer. Nós podemos fazer um hemograma, testes da função hepática e função renal, mielograma, tomografias, ressonâncias e biópsia da lesão tumoral para fazer o diagnóstico patológico”, explica Robson.

Como é o tratamento do câncer infantil?

O tratamento do câncer infantil dependerá do tipo do tumor e do estágio da doença. Mas, assim como nos tratamentos de pessoas adultas, as crianças poderão realizar quimioterapia, radioterapia ou até uma cirurgia. No caso da leucemia, por exemplo, o processo costuma durar cerca de dois anos.

Nos países desenvolvidos, a taxa de cura é de 70%. No Brasil, o número varia de 40 a 50%. “Durante a fase mais intensa do tratamento, nós pedimos para a criança diminuir o contato social com as demais crianças. É comum ter infecção viral e esse é o nosso maior receio”, afirma Viviane.

Para evitar problemas, os cuidados com a higiene devem ser reforçados. É importante evitar o consumo de alimentos crus e de locais em que não se sabe a procedência. Também é recomendado evitar que a criança adquira um filhote durante o tratamento. No entanto, caso ela já tenha um, ela não deve se desfazer do pet. Ela não deve ter contato com fezes e urinas do animal e o pet não pode lamber a cabeça e pescoço da criança. “O apoio da família é fundamental durante o tratamento. Eles devem entender a importância dos procedimentos que serão realizados e devem confiar no médico responsável pelo caso”, orienta Viviane.

Não existe uma maneira de prevenir o câncer infantil. O paciente curado deve fazer acompanhamento constantemente para evitar o retorno do câncer. Além disso, ele pode ter sequelas na vida adulta, que variam desde mudanças hormonais até problemas no sistema motor, renal e cardíaco, deficiência de crescimento e o risco de desenvolver um tumor secundário.

“A principal orientação é que as crianças façam visitas regulares ao pediatra. O diagnóstico precoce do câncer infantil ainda é a melhor maneira de aumentar a taxa de cura”, diz Robson.

Fotos: Getty Images