Câncer de mama: entenda a importância de realizar exames preventivos

Por Mariana Castro em 09/10/2017

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), depois do câncer de pele, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Ele é responsável por 28% dos casos da doença a cada ano, mas se diagnosticado e tratado precocemente, apresenta grandes chances de cura. É por isso que acontece, neste mês, o movimento Outubro Rosa. O objetivo da campanha internacional é promover a conscientização a respeito da doença.

O câncer de mama surge, principalmente, em forma de nódulos na mama. Mas, sua manifestação também pode se dar na saída de secreção pela papila – fora da gestação ou das semanas após o parto –, retração de pele ou de mamilo, alteração na forma da mama e lesões na pele da região.

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A doença acomete, principalmente, mulheres entre 50 e 70 anos e pode ser causada por diversos fatores de risco. Mulheres que começaram a usar precocemente o anticoncepcional oral ou fazem uso de terapia de reposição hormonal na menopausa, que menstruaram cedo, não têm filhos ou tiveram após os 30 anos, com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de mama antes dos 45 anos ou que são obesas precisam ter uma atenção extra com a questão.

Se diagnosticado precocemente, o câncer de mama tem até 95% de chance de cura

Muito empregada em tratamentos de infertilidade, a estimulação ovariana também pode aumentar as chances de câncer de mama. “Além disso, mulheres com mamas densas têm até cinco vezes mais chances de desenvolver a doença em relação àquelas com baixa densidade mamária”, alerta Yoon Chang, coordenador do departamento de mama do CDB Medicina Diagnóstica. “Portanto, para melhorar o modelo de prevenção à doença, é fundamental acrescentar no resultado de exames de mamografia informações sobre a densidade mamária”, completa o médico.

É preciso lembrar que existem diversos tipos de câncer. Alguns têm o crescimento mais rápido e agressivo, mas a maioria evolui de forma que possibilite um tratamento eficiente, desde que detectados em tempo hábil. Atualmente, é utilizado mais de um exame para chegar a um diagnóstico. “Usamos, incialmente, os exames de imagem, como mamografia e ressonância, por exemplo”, explica o médico Mario Sergio Amaral Campos, do Hospital e Maternidade São Luiz. “Por último, é feita a biópsia, que ajuda a complementar e fechar o diagnóstico da doença”, completa.

Mamografia

A mamografia deve ser realizada anualmente após os 45 anos. Mas, seja por falta de informações claras, por medo de sentir dor durante o procedimento ou por receio do diagnóstico, muitas mulheres ainda deixam de realizar o teste. Por isso, a ginecologista e mastologista do Hospital e Maternidade São Luiz, Daniela Setti, esclareceu alguns pontos sobre o assunto:

#1

A finalidade da mamografia é estudar o tecido mamário, detectando nódulos mesmo que ainda não sejam palpáveis. Por causa disso, mesmo não sentindo caroços durante o autoexame, é importante realizar o exame de imagem após a idade indicada, ou a partir dos 35 anos para mulheres com histórico familiar. “Os tumores ainda pequenos, em estágio inicial, têm chance de até 95% de cura, por isso a importância de seu diagnóstico precoce”, conta Daniela. Segundo ela, a maioria das mulheres que têm câncer de mama não tem histórico familiar da doença, portanto o rastreamento mamográfico deve ser feito em qualquer circunstância.

#2

A mamografia utiliza raios-X para formar a imagem da mama. O risco associado à exposição da radiação é mínimo, principalmente quando comparado ao benefício. O exame pode provocar dor em algumas mulheres, dependendo da sensibilidade individual, mas é rápido e, portanto, o desconforto é tolerável. Para amenizar essa sensação, é indicado agendar a mamografia quando as mamas tiverem menos sensíveis, ou seja, após o período menstrual, além de tomar um analgésico antes do exame.

#3

Para mulheres com seios muito densos, o autoexame pode não detectar os nódulos, mesmo os de maior tamanho. Por isso, a mamografia é essencial. Se o exame não ficar claro em função da densidade das mamas, poderá ser feito um segundo exame de imagem, como ultrassom ou ressonância magnética, por exemplo.

Autoexame

O autoexame é uma das práticas mais recomendadas pelos médicos a fim de prevenir o desenvolvimento do câncer de mama. Ele deve ser realizado mensalmente, logo após o período menstrual. “As mulheres que não menstruam, devem eleger um dia no mês para fazer o autoexame”, indica Daniela. Caso a mulher note qualquer alteração ao apalpar as mamas, deverá procurar o médico imediatamente para mais exames.

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Durante o autoexame, os sinais de alteração que a mulher pode encontrar são caroços, elevação ou retração da pele no bico do seio e secreções mamilares. É importante lembrar que 80% dos nódulos mamários são benignos e apenas uma pequena parcela desenvolverá um câncer. Por causa disso, a importância de procurar um especialista ao detectar um cisto na mama antes de fazer seu próprio diagnóstico.

Para fazer o autoexame, siga o passo a passo:

  • Em pé ou deitada, coloque a mão direita na cabeça
  • Com os dedos indicador, médio e anelar da mão esquerda sobre a mama direita, deslize-os suavemente em movimentos circulares pela mama
  • Repita o movimento com a mão direita na mama esquerda
  • Diante de um espelho, inspecione as mamas com os braços abaixados ao longo do corpo
  • Levante as mãos atrás da cabeça e observe se ocorre alguma alteração no contorno das mamas ou no bico
  • Repita a observação colocando as mãos na cintura e apertando-a
  • Esprema o mamilo delicadamente e observe se sai qualquer secreção

Foto: Getty Images