Ansiedade: entenda o transtorno, sintomas e tratamentos

Por Mariana Castro em 16/05/2017

Assim como muitos transtornos psicológicos, a ansiedade foi subestimada por vários anos. Atualmente, 33% da população mundial sofre com o transtorno, segundo a Organização Mundial de Saúde. Para quem nunca lidou com isso, pode ser difícil entender exatamente no que consiste a ansiedade e, por isso, é importante esclarecer o problema.

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O transtorno de ansiedade causa um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão e tensão, derivados da antecipação de alguma situação perigosa e desconhecida que, na maioria dos casos, nunca chega a acontecer. As causas desse transtorno podem ser muito distintas, assim como pode derivar do acúmulo de diversos fatores.

“Há pessoas que ficam ansiosas antes de grandes acontecimentos que demandam sua performance, como provas. Outros, antes de grandes eventos da vida, como casamento ou o nascimento de um filho. Mas também existem aqueles que estão sempre ansiosos, sem um motivo específico. Eles vivem pensando constantemente no futuro, sempre imaginando o que virá, tendo medo e preocupando-se”, explica a psicóloga Lizandra Arita.

Sintomas

Além dos sintomas psicológicos, como nervosismo e dificuldade de concentração, a ansiedade pode desencadear sintomas físicos, como tontura, dor de barriga e diarreia, falta de ar ou respiração ofegante, dor no peito, coração acelerado e tremores. Se não for tratada ou controlada, a ansiedade pode evoluir para quadros mais severos, culminando em outros transtornos psicológicos como síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, fobia social e até mesmo depressão.

Como as crises de ansiedade disparam sintomas físicos, é natural que muita gente confunda o estado com alguma doença ou mal físico. Alguns chegam a ir para o hospital e acreditam que suas vidas estão ameaçadas. Na verdade, todo o transtorno está acontecendo na mente e é possível detectar isso ao prestar atenção em suas sensações. “Um mal-estar físico se limita ao físico, enquanto uma crise de ansiedade é marcada por sensações de desespero e angústia”, afirma a especialista.

Tratamento

Para um tratamento adequado, é necessário o acompanhamento de psicólogos, que ajudam o paciente a entender o que motiva sua ansiedade, e psiquiatras, que podem indicar medicamentos, se necessário, para controlar os sintomas e crises mais severas.

Exercícios físicos também podem ajudar bastante. “O ideal é que cada pessoa identifique o que acalma e o que abranda sua ansiedade. Tem gente que fica mais tranquila praticando ioga ou fazendo massagem relaxante. Já outras, preferem praticar boxe ou correr”, diz a psicóloga. A acupuntura e outros tratamentos alternativos também são recomendados em determinados casos, além da meditação.

Como controlar as crises de ansiedade?

Uma vez que a ansiedade é o medo irracional do futuro, é eficaz que a pessoa fique atenta a sua respiração, voltando a sua atenção para o momento presente. Durante uma crise de ansiedade, inclusive, controlar a respiração pode ser o melhor remédio. “É recomendado não respirar pela boca, já que isso aumenta os sintomas como falta de ar e formigamento das mãos. O ideal é sempre respirar pelo nariz”, alerta Lizandra.

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Em alguns casos, o paciente convive por muito tempo com a ansiedade. Para acelerar o processo de cura, alguns cuidados mentais são indicados. “Não pensar sempre no negativo, afastar os sentimentos de catástrofe e de mil possibilidades, que são os famosos ‘e se’, além de evitar generalizações, não fazer suposições e aprender a dizer ‘não’ são alguns deles”, explica a psicóloga.

Por último, durante uma crise, é preciso convencer seu inconsciente de que não há uma ameaça real, pensando racionalmente e rebatendo os pensamentos ruins. “Tente falar coisas como: ‘Está tudo bem, eu posso sair de casa e nada de ruim vai me acontecer, pois ontem eu saí e deu tudo certo. Isso é só um medo e não é real’”, orienta Lizandra.

De acordo com ela, ao verificar com um médico que o problema não é algo físico, o paciente percebe que todas as sensações estão em sua cabeça e que tem condições de controlar seus pensamentos. Por isso, a melhor forma de ajudar alguém com ansiedade é mostrar a realidade para essa pessoa, lembrando-a, delicadamente, que não é preciso sofrer antecipadamente por algo que ainda não aconteceu.

Foto: Getty Images