Como deve ser a alimentação do bebê até um ano de idade?

Por Mariana Castro em 27/11/2017

Os primeiros anos de uma pessoa são determinantes para diversos aspectos da vida adulta. Especialistas consideram que o que acontece no corpo até os cinco anos de idade pode influenciar problemas de saúde futuros, como obesidade, hipertensão, colesterol alto e riscos de infarto ou AVC, por exemplo.

Por isso, cuidar da alimentação durante essa fase é essencial para que o bebê cresça nutrido e saudável. No primeiro ano da criança, é importante saber quando fazer a transição para os alimentos sólidos, além de entender as melhores comidas para oferecer em cada etapa.

Segundo o Ministério da Saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), nada é melhor do que fornecer ao bebê o alimento mais nutritivo que ele poderá receber: o leite materno. “Até os seis meses, ele deve se alimentar exclusivamente disso”, recomenda Virgínia Weffort, presidente do departamento científico de nutrologia da SBP.

+ Cinco mitos sobre a obesidade infantil

+ Amamentação pode incentivar crianças a comerem legumes, diz estudo

O aleitamento materno fornece vantagens que vão desde fortalecer a imunidade e prevenir a obesidade, até melhorar o coeficiente intelectual e o vínculo com a mãe. Se, por alguma razão, a mãe não puder amamentar, é indicado o uso de uma fórmula infantil como substituição. “As fórmulas são padronizadas e seguem as recomendações da ANVISA”, explica Virgínia. “Por causa disso, oferecem as quantidades corretas de todos os nutrientes”, completa ela.

O leite de vaca, por exemplo, que costuma ser consumido por adultos não é recomendado para os pequenos pois possui excesso de proteína e sódio, ao mesmo tempo que contém pouco ferro, vitamina e outros nutrientes. Além disso, a proteína do leite de vaca pode causar diversas alergias.

Como realizar o desmame corretamente?

A partir do sexto mês e até os dois anos de vida, a criança pode continuar sendo amamentada pela mãe, mas deve ser introduzida a outros alimentos também. A alimentação complementar deve conter todos os grupos de comida: cereais ou tubérculos, proteína animal, leguminosas e hortaliças. A seguir, a SBP exemplifica alguns dos alimentos de cada um desses grupos:

  • Cereais ou tubérculos: arroz, milho, macarrão, batata, mandioca, inhame e cará
  • Leguminosas: feijão, soja, ervilha, grão de bico e lentilha
  • Proteína animal: carne de boi, vísceras, carne de frango, ovos, carne de peixe e carne suína
  • Hortaliças: legumes, cenoura, abóbora, verduras, alface, couve e almeirão

Logo no sexto mês, a indicação é de que a criança coma frutas raspadas ou picadas como sobremesa, mas sem tomar o suco das mesmas. Até o sétimo mês, ela já pode começar a comer uma papa como refeição principal. “Uma boa ideia é oferecer ovo cozido ou peixe, por exemplo. O ideal é deixar a comida bem cozida e amassá-la com o garfo”, recomenda Virgínia.

No oitavo mês, a papa já pode ser dada em duas refeições principais e é interessante cozinhar menos, deixando pequenos pedaços ao amassar a comida. “A partir dos nove meses, não é mais necessário amassar e você pode ir, gradativamente, passando a comida da criança para a consistência da comida da família”, indica a especialista.

Ao completar um ano, a criança já pode comer a comida feita para a família. Entretanto, é preciso observar que ela deve ter uma dieta balanceada. Se o pequeno for introduzido a uma alimentação errada, pode desenvolver problemas como anemia ferropriva, deficiência de zinco ou outras vitaminas, obesidade e desnutrição.

Confira um esboço de cardápio elaborado por Virgínia para guiá-lo na alimentação do bebê:

  • Café da manhã: leite materno ou fórmula infantil
  • Lanche: fruta e leite materno
  • Almoço: duas porções de cereal ou tubérculo (carboidrato), uma porção de leguminosas (proteína vegetal), uma porção de proteína animal, duas porções de hortaliça e uma fruta de sobremesa
  • Lanche: fruta e leite materno
  • Jantar: mesmas porções do almoço
  • Ceia: leite materno ou fórmula infantil

A quantidade adequada para oferecer em cada refeição vai de acordo com a capacidade gástrica do bebê. Nas primeiras refeições com a papa, a ingestão é menor, o que significa algo em torno de duas a três colheres de sopa. “Com os meses, isso vai aumentando até chegar em 250 mililitros, quantidade ideal entre o primeiro e o segundo ano”, aconselha Virgínia.

A recomendação geral para alimentação infantil é dar o leite materno até os seis meses e o leite complementado até dois anos ou mais

Muitos pais sofrem com a resistência dos filhos para comer. Caso isso aconteça, a primeira coisa que deve ser feita é exercitar a paciência, pois apesar de parecer mais fácil dar comidas que eles gostem – como bolachas, doces e frituras -, isso pode ter consequências desagradáveis no futuro. Algumas das dicas da especialista nesse caso são repetir o alimento de oito a dez vezes, mudando o modo de preparo, a consistência e os temperos. Outro truque é deixar a criança pegar o alimento e sentir sua textura, enquanto os pais dão, com a colher, os alimentos que ela já aceita. Desta forma, ela pode associar o alimento que está tocando ao que está comendo e colocá-lo na boca sozinha.

Fotos: Getty Images