Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia busca empreendedores de impacto social

Por Thais Lopes em 07/02/2019

Para apoiar e potencializar uma nova geração de empreendedores de impacto social que atuam nas periferias, a produtora A Banca, em parceria com a Artemisia e FGVCenn, está ampliando o escopo de seleção conduzido pela Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia. A terceira edição, que tem inscrições abertas até 24 de fevereiro, vai selecionar 10 empresas para um ciclo intenso de oito meses de aceleração. Nas duas primeiras edições de 2018 – com foco somente em empreendedores da zona sul de São Paulo, dos distritos do Jardim Ângela (M’Boi Mirim), Capela do Socorro e Campo Limpo (Capão Redondo) –, a ANIP acelerou 10 startups. As inscrições de 2019, que abarcam todos os bairros periféricos do município, podem ser feitas pelo site www.aceleradoranip.com

Estão credenciados a participar empreendedores com produtos e serviços já desenvolvidos com negócios que nasceram e atuam nas periferias da cidade de São Paulo que gerem impacto social ou ambiental. O programa prevê encontros temáticos presenciais, acompanhamento individual e mentoria pós-aceleração. Entre os temas a serem abordados durante o processo de aceleração: mitos sobre a divisão entre impacto social e negócios; impacto social, competências empreendedoras; gestão financeira; marketing digital; questões jurídicas; inovação; estruturação e refinamento do negócio; e conteúdos adaptativos de acordo com a demanda de cada negócio selecionado. Ao final da aceleração, os empreendedores com participação ativa no processo poderão receber um capital-semente de até R$ 20 mil. 

Segundo DJ Bola, presidente-fundador da produtora A Banca e um dos idealizadores da Aceleradora de Negócios de Impacto Social da Periferia, uma nova geração de negócios de impacto social só será efetiva se a população das periferias brasileiras for protagonista na criação de empresas que solucionem os problemas sociais e ambientais da quebrada – e não apenas um cliente ou beneficiário.

“Acreditamos que nas diversas periferias do país há empreendedores e empreendedoras com ideias e soluções com alto potencial de impacto social e ambiental. Esses empreendedores, com o suporte adequado, podem escalar e impactar positivamente milhares de pessoas”

– DJ Bola, presidente-fundador da produtora A Banca

DJ Bola (foto: assessoria/divulgação)

Empreendedores sociais

O empreendedor social acrescenta que as primeiras edições do programa foram responsáveis pela aceleração de empresas Boutique de Krioula, Empreende Aí, Ecoativa, Jovens Hackers, Editora Selo Povo, Periferia em Movimento, Bora Lá, Nutrir-Si, Bio Afetiva e Gastronomia Periférica – todas empresas da periferia da zona sul de São Paulo que tiveram seus negócios potencializados. “Os empreendedores tiveram acesso a uma rede de pessoas incríveis, que proporcionaram a troca de conhecimento e o contato com outros empreendedores, gerando um grande aprendizado para todos envolvidos”, relata.  

Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, afirma que as organizações se uniram por um sonho em comum: potencializar o desenvolvimento de negócios de impacto social na periferia com soluções voltadas para endereçar desafios sociais e ambientais. “Além de apoiar, queremos também incentivar o surgimento de novos negócios de impacto dentro das periferias, que hoje representam uma parcela pequena dentro do ecossistema de empreendedorismo de impacto”. E acrescenta: “trabalharemos para criar pontes entre empreendedores acelerados provenientes de realidades distintas”.

Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferiaconta com o patrocínio da British Council, Fundação Via Varejo, Fundo AZ Quest e Instituto Vedacit.

 A BANCAA produtora A Banca nasceu como um movimento juvenil no final da década de 1990 quando o Jardim Ângela era o lugar mais violento do mundo. Em 2007, passou pelo processo de aceleração da Artemisia; em 2008, estruturou-se juridicamente, tornando-se uma associação. Desde o início de suas atividades, A Banca já realizou mais de 130 eventos gratuitos em espaços públicos da cidade de São Paulo, nos quais se apresentaram 120 grupos musicais, beneficiando diretamente 45mil pessoas. Atuou com mais de 25 escolas públicas e privadas, oferecendo intervenções educacionais através da cultura Hip Hop e da Educação Popular. Foi a pioneira em fazer conexões de impacto, em busca de romper as barreiras invisíveis culturais, sociais e econômicas com pessoas de diferentes realidades na cidade de São Paulo.

FGV CennO Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios (FGVCenn) foi criado em junho de 2004 com a missão de ser um gerador de conhecimento em empreendedorismo no Brasil, construindo uma cultura empreendedora na Fundação Getúlio Vargas e contribuindo para impulsionar o ecossistema de empreendedorismo no Brasil. Para isso, o Centro reúne pesquisadores de formações diversas para estudar e propagar conhecimento sobre empreendedorismo de forma multidisciplinar, independente e de acesso público. O GVcenn é reconhecido como um centro de excelência sobre empreendedorismo e realiza uma série de eventos, workshops, competições de planos de negócios, concursos, congressos e pesquisas, a maioria deles oferecida gratuitamente a um público interno e externo à FGV.

 ARTEMISIAA Artemisia é uma organização sem fins lucrativos, pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social no Brasil. A missão da organização é inspirar, capacitar e potencializar talentos e empreendedores para criar uma nova geração de negócios que rompam com os padrões precedentes e (re)signifiquem o verdadeiro papel que os negócios podem ter na construção de um país com iguais oportunidades para todos. Fundada em 2004 pela Potencia Ventures, a Artemisia possui escritório em São Paulo. A Artemisia já acelerou mais de 100 negócios de impacto social no Brasil e capacitou outros 300 em seus diferentes programas.