Vale a pena investir em bitcoin?

Por Mariana Castro em 30/10/2017

A tecnologia está em constante e acelerado desenvolvimento. Com isso, era certo de que não demoraria muito para que ela trouxesse mudanças significativas para a economia. As criptomoedas são moedas digitais que pretendem revolucionar as formas de pagamento e vêm ganhando cada vez mais espaço no mundo do comércio.

Essa tecnologia se baseia em códigos e algoritmos desenvolvidos para garantir a segurança das transações e regular a criação de novas moedas. Dentre elas, a mais famosa é o bitcoin, uma forma de dinheiro – assim como o dólar e o real –, mas que é apenas digital e não é emitida por nenhum governo.

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No Brasil, já é possível pagar hospedagens, passagens aéreas, bebidas diversas e games online com o bitcoin, além de consertar bicicletas e aprender informática. “Já no exterior, o leque de opções é maior. Você pode pagar seu almoço, comprar um carro e até fazer cirurgias plásticas na Califórnia ou adquirir uma casa em Barcelona”, conta Rodrigo Batista, sócio e CEO do Mercado Bitcoin, maior empresa de compra e vendas de moedas digitais da América Latina.

A moeda foi criada por um programador, identificado pelo pseudônimo de Satoshi Nakamoto, com a ajuda de outros desenvolvedores. Em 2009, ele deu vida à primeira moeda digital descentralizada, ou seja, que não é atrelada a nenhum governo ou instituição financeira. Suas transações são feitas, portanto, de uma pessoa para a outra. Apenas no Mercado Bitcoin, uma das corretoras da criptomoeda, mais de 550 mil pessoas já utilizam esta forma de pagamento.

Segundo Rodrigo, existem três formas de adquirir bitcoins:

  • Comprando: Qualquer pessoa pode comprar bitcoins de exchanges, que são empresas que fornecem plataformas para compra e venda da moeda digital. Para isso, basta criar uma conta na plataforma e realizar um depósito bancário para ter saldos e reverter seus reais em bitcoins. Também é possível comprar diretamente de outros usuários, mas é preciso muito cuidado pois as ferramentas de troca podem não ser seguras e dependem da confiança no vendedor.
  • Recebendo: Basta ter um endereço bitcoin para receber pagamentos na moeda digital. Esse processo é tão simples quanto receber um e-mail.
  • Produzindo: As moedas são criadas por um processo batizado de mineração, feito por usuários que decodificam cálculos matemáticos complexos. Teoricamente, qualquer um ligado à internet poderia minerar bitcoins, mas são necessários computadores superpotentes para processar a quantidade de informações necessárias. Por isso, a atividade é dominada por grandes data centers que se dedicam à tarefa.

Como investir em bitcoins?

Para investir em bitcoins, basta comprá-los por meio de uma corretora ou diretamente com outra pessoa. Os ganhos ou perdas com a moeda acontecem no momento da venda para reais, similar ao que ocorre com ações. “Contudo, é importante lembrar que investir em bitcoin ainda é uma iniciativa de alto risco, pois a moeda é muito volátil e não há como prever seu comportamento no mercado”, alerta o CEO do Mercado Bitcoin.

Apesar de ser livre de pressões governamentais e bancos, o valor e cotação dessa moeda também são definidos com base na lei de oferta e procura. Assim como outros ativos financeiros, seu preço reage à economia dos países, decisões políticas, notícias e acontecimentos da própria rede Bitcoin. “Portanto, cuidado com promessas de lucro fácil, rápido e garantido, pois isso é característico de golpes”, sinaliza Rodrigo.

As criptomoedas são criadas por mineradores, que são usuários que decodificam cálculos matemáticos complexos

Atualmente, o preço da unidade de bitcoin está em torno de R$ 18 mil. A melhor forma de armazenar essas moedas é colocando-as em uma carteira de bitcoins, que utiliza senhas privadas para movimentá-las. Isso garante maior segurança ao dono do bitcoin, seja de forma online ou offline. “Vale a pena investir em senhas complexas, além de ter sempre um backup atualizado e em local de difícil acesso a hackers e até mesmo apelar para serviços que só autorizam suas transações a partir de multiassinaturas, ou seja, exigem que pessoas de sua confiança aprovem as operações em seu nome”, sugere o especialista.

O investimento em bitcoins é vantajoso pois suas operações têm taxas menores do que as tradicionais formas de pagamento, como cartão e dinheiro. Por ser digital, a moeda também não conhece fronteiras ou barreiras econômicas e sua valorização é otimista, ultrapassando a marca de 500% em 2017. “Além disso, as transações são mais rápidas e seguras, pois são validadas apenas por mineradores e, logo em seguida, incluídas no blockchain”, diz Rodrigo.

O blockchain, ou cadeia de blocos, em português, é mais um termo que você precisa saber para começar a entender o universo das criptomoedas. Ele é a inovação tecnológica por trás do bitcoin, um dos sistemas de registro e compartilhamento de informações mais consistentes e seguros do mundo. Seu funcionamento é como uma espécie de livro-caixa em que todas as transações da rede bitcoin são gravadas. “O blockchain registra e valida todas as transações realizadas, em todos os softwares em que é rodado”, explica Rodrigo. Ou seja, não existe apenas um lugar onde as informações ficam armazenadas. Todo o sistema sabe quando, onde e qual o valor processado, pois estes dados são públicos e invioláveis. “É isso que faz com que a criptomoeda seja tão segura e revolucionária”, completa ele.

Fotos: Getty Images