O que fazer ao perder o emprego?

Por Mariana Castro em 16/06/2017

Raramente ser demitido é uma situação agradável ou mesmo planejada. Geralmente, as pessoas têm que lidar com circunstâncias inesperadas e podem se sentir aflitas e perdidas. Em tempos de crise, demissões se tornam ainda mais frequentes. Por causa de tudo isso, é sempre importante saber o que fazer caso isso aconteça.

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Os últimos dados revelados pelo IBGE revelaram que a taxa de desemprego bateu novo recorde no primeiro trimestre de 2017. Os números mostraram que o desemprego atinge 14,2 milhões de brasileiros.

De acordo com Cíntia Senna, educadora financeira, desanimar ou desistir não devem ser alternativas. “Independentemente da situação, a pessoa deve olhar para si mesma e buscar um ponto positivo”, afirma a especialista. “Neste momento, as pessoas devem se perguntar: O que eu posso aprender com essa situação?, O que eu posso mudar? e Quais são os projetos de vida que eu quero alcançar?”, completa.

Fiquei desempregado. E agora?

Antes mesmo de analisar quais despesas cortar para se manter financeiramente, você deve fazer um diagnóstico para conhecer seus gastos. “Muitas pessoas não percebem com o que, de fato, elas gastam, olhando apenas para as contas fixas”, explica Cíntia. Depois disso, será possível dar prioridade para as contas essenciais, como água e luz, e tentar reduzi-las ao máximo. Outra prioridade deve ser o pagamento de financiamentos e dívidas contraídas, sendo necessário um planejamento para continuar quitando as parcelas. Isso evitará o surgimento de problemas futuros.

Um erro muito comum ao perder o emprego é ter o impulso de quitar todas as dívidas com o montante recebido na rescisão contratual. Com medo de não ter dinheiro no futuro, muitas pessoas optam por se livrar desta pendência o quanto antes. Mas, usar esse recurso para pagar financiamentos e parcelamentos que ainda estão em dia pode deixá-lo sem reservas, que serão necessárias para qualquer eventualidade.

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Ao perder o emprego, desanimar ou desistir não devem ser alternativas

Sem fluxo de caixa, você pode acabar precisando de empréstimos bancários, que serão pagos com uma taxa ainda mais cara. É muito importante não tomar nenhuma decisão precipitada nesse momento. Por isso, outra dica é evitar comprar bens de maior valor. Apesar de ter recursos da rescisão trabalhista, talvez você não consiga cobrir os custos de manutenção deste bem a longo prazo.

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Quem optar por investir o montante recebido, também deve fazer uma cuidadosa análise. Além conhecer sobre investimentos, é muito importante saber a finalidade desses recursos. Se você não tiver outras reservas, o dinheiro pode ser investido em algo que tenha liquidez imediata, por exemplo. Isso permitirá o saque a qualquer momento. “É fundamental investir atrelado à finalidade e a quando esse recurso será necessário, para calcular o que é mais rentável em cada caso”, orienta Cíntia.

Quais são os meus direitos?

Quando um empregado é desligado sem justa causa, ele poderá, dentro de 30 dias, solicitar o seguro-desemprego ao Ministério do Trabalho. É necessária a apresentação de alguns documentos e, sabendo o tempo de contribuição para aquela empresa, será calculado o valor da parcela que é de, no mínimo, um salário mínimo. Para calcular o valor das parcelas, é considerada a média dos salários dos três meses anteriores à dispensa. É necessário ter trabalhado, no mínimo, dezoito meses ininterruptos e o seguro vale de três a cinco meses, dependendo do tempo de prestação de serviço.

Se o funcionário foi demitido, ele pode cumprir seu aviso prévio trabalhando, mas escolhendo alguns dias para não ir ao escritório ou tendo uma carga horária reduzida, a fim de buscar uma recolocação no mercado no resto do tempo. Se quiser, ele também pode receber o valor desses trinta dias de trabalho em sua rescisão. A empresa tem dez dias após o desligamento para depositar esse dinheiro, que inclui 13º salário e férias proporcionais e residual do salário, que é a quantia proporcional aos dias trabalhados no mês, além dos valores relacionados aos outros benefícios, como vale refeição e vale transporte.

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Por se tratar de uma indenização, não há desconto de imposto de renda ou INSS. Além disso, você também terá direito a sacar seu FGTS, que é um dinheiro pago pela empresa, e mais 40% do saldo acumulado no FGTS como multa por ter sido demitido.

Como me recolocar no mercado de trabalho?

Ao se deparar com uma situação como essa, é importante refletir sobre o que fez com que a empresa tomasse essa decisão e o que você pode aprender disso. O momento pode ser perfeito para rever se você estava no caminho certo ou se deveria mudar de carreira e analisar outras possibilidades que, seja por falta de tempo ou por comodismo, ainda não tinham sido consideradas.

Outra dica é aproveitar o tempo longe do mercado de trabalho para fazer um curso de especialização e traçar novas possibilidades e planos. Ampliar a sua visão e evitar fazer apenas aquilo que já fazia podem aumentar – e muito – o seu leque de opções. “Se está difícil achar um emprego na sua profissão, pergunte-se: O que eu gosto e posso fazer enquanto não encontro uma posição? É neste momento que muitas pessoas descobrem novas paixões”, afirma a especialista.

Foto: Getty Images