Como organizar as finanças após o casamento?

Por Patricia Machado em 22/08/2017

Depois de dizer o tão sonhado “sim” em uma cerimônia repleta de amigos e parentes, o casal começar a viver as delícias e desafios proporcionados pela vida a dois. E uma das tarefas dos recém-casados é aprender a organizar os gastos para conquistar uma vida financeira saudável.

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De acordo com um levantamento feito pela Boa Vista SCPC mostrou que, em 2014, 57% das pessoas com pendências financeiras eram casadas ou estavam em uma união estável. Os solteiros, no entanto, representavam apenas 32% das pessoas com nome na lista de devedores.

“O  dinheiro costuma causar problemas e brigas frequentes entre os casais. Isso acontece por causa do pouco caso no trato do assunto”, afirma o economista Fernando Pinho. “As brigas se acentuam quando uma das partes possui bens anteriores ao casamento que foram adquiridos por meio de compra ou herança”, completa.

A maioria dos casais tem dificuldade de conversar e falar sobre dinheiro. Mas, a conversa precisa começar antes do casamento, ainda na fase do namoro. “Cada pessoa vem de um ambiente familiar diferente e, por isso, vão ocorrer múltiplas interpretações a respeito do que é considerado o ‘bom uso’ do dinheiro. Afinal, o que pode ser prioritário para um, pode ser supérfluo para o outro”, alerta Fernando.

Por isso, o primeiro passo para ter uma união de forma estruturada e saudável é saber as características de cada parceiro. “Não existe uma fórmula correta, mas é importante ter um alinhamento entre o casal”, garante Reinaldo Domingos, especialista em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros.

Depois, as partes devem conhecer integralmente as fontes de renda de cada um. Para que isso dê certo, o casal deve ser sincero e transparente. “O erro mais grave é começar um casamento sem dimensionar se a soma da renda do casal é suficiente para a manutenção de uma casa com padrões mínimos para uma vida digna. Não há possibilidade de êxito em um casamento quando falta o básico”, afirma Fernando.

A maioria dos casais tem dificuldade de conversar e falar sobre dinheiro. No entanto, isso é essencial

O casal também precisa fazer um diagnóstico financeiro para entender como o dinheiro está sendo gasto. “Os dois conhecerão o dinheiro da família e poderão fazer esse caminho ser próspero”, explica Reinaldo. Após essa etapa, os parceiros devem realizar um orçamento financeiro familiar. Isso significa que eles devem incluir todas as contas, despesas, receitas e sonhos que almejam conquistar.

Ao terem analisado o ganho mensal de cada um, o casal deve dividir o que cada parte irá pagar e quanto irão depositar mensalmente para a realização dos seus sonhos. Os casais podem optar por ter um conta conjunta ou manter a individual. “É fundamental que o casal tenha sonhos individuais e coletivos. Eles devem ter sempre sonhos que sejam de curto, médio e longo prazo. Eles também devem ter uma reserva estratégica, que geralmente é de três a seis salários”, orienta Reinaldo.

A decisão de ter um filho também precisa ser analisada do ponto de vista financeiro. De acordo com Reinaldo, uma criança representa, em média, um terço do orçamento familiar. “É preciso ter cautela e saber planejar os futuros gastos para que o sonho de ter um filho seja realmente prazeroso”, explica o especialista. Além disso, os casais precisam planejar a aposentadoria para envelhecerem sem contratempos.

Fotos: Getty Images