Como investir em uma franquia?

Por Mariana Castro em 28/08/2017

Cada vez mais investidores e empreendedores entram no sistema de franquias, buscando bons negócios, bons resultados financeiros e a realização profissional. O franchising brasileiro é o terceiro maior do mundo, segundo o último levantamento realizado pela ABF (Associação Brasileira de Franchising). Ele é uma oportunidade de empreender em um negócio com uma taxa de risco mais baixa e uma taxa de sucesso maior.

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Nesse sistema, a franqueadora, proprietária da marca, autoriza um terceiro, intitulado franqueado, a utilizar o seu sistema de operação e gestão de negócio. “Através de regras e padrões a seguir, o novo empresário replica um modelo de negócios que já foi testado e que obteve sucesso”, explica Cláudia Bittencourt, sócia-fundadora e diretora geral da Bittencourt Consultoria, empresa especializada em rede de negócios e franquias.

A franquia é a oportunidade de empreender em um negócio que já conta com produto, marca e know-how. Na hora de decidir se tornar um franqueado, entretanto, é preciso analisar se a pessoa tem o perfil gerencial adequado para isso. “Se for empreendedora demais, por exemplo, ela pode ter dificuldades para se encaixar em regras e padrões já definidos”, conta Juarez Leão, diretor institucional da ABF. Ao mesmo tempo, se for pouco empreendedora, ela poderá esperar que o franqueador faça tudo pelo negócio, quando o ideal é que ela mesma cuide de grande parte das funções.

O sistema de franquias permite que o novo empresário replique o modelo de negócios de uma marca que já obteve sucesso

Para ser um bom franqueado, é preciso saber gerir pessoas, lidar com clientes, ter habilidades administrativas e, ao mesmo tempo, facilidade em seguir regras e padrões. Além disso, para obter sucesso no negócio é preciso ter entusiasmo e vontade de participar da operação. Por isso, é fundamental escolher um segmento com o qual o franqueado se identifique. “Não adianta colocar um franqueado que não gosta de lidar com pessoas em uma franquia que trata diretamente com o público, por exemplo”, recomenda Cláudia.

Apesar do risco do negócio ser mais baixo, isso não significa que o risco do sistema de franquias seja nulo. Alguns franqueadores podem não ser tão bons, por exemplo, e por isso é necessária uma análise detalhada para fazer uma boa escolha na hora de investir o seu dinheiro.

Como escolher uma franquia?

Passo #1

É preciso fazer uma autoanálise para identificar os segmentos de atuação com o qual você mais se identifica. Dentro deste grupo, selecione as marcas em que você acredita na filosofia e no produto. Não adianta buscar pelo segmento que mais rende lucro, por exemplo, porque isso está sempre em constante mudança. Sem ter um interesse genuíno pelo seu próprio negócio, as chances de sucesso são mais baixas.

Passo #2

Avalie sua realidade financeira para escolher uma marca que se alinhe ao capital disponível. É preciso analisar em quanto tempo você terá o retorno do investimento, principalmente se essa for sua única fonte de renda. Não é recomendado que todo o capital seja investido para que haja renda suficiente para se manter no negócio, tendo capital de giro e capital para a contratação de funcionários. “Esse capital deve equivaler a uma média de 20% do capital total, sendo interessante, também, reservar outros 20% para questões pessoais”, aconselha Juarez. Por isso, o ideal é escolher uma franquia que valha 60% do seu capital total.

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Passo #3

É importante avaliar se o capital exigido para investir na franquia vale o risco. Para isso, leve em consideração desde a reputação da marca, o suporte oferecido pela franqueadora e a consistência do crescimento da rede até os resultados que os franqueados atuais estão tendo com o negócio. A melhor forma de analisar se a franquia vale o risco é através da taxa de retorno sinalizada no plano de negócios. “Às vezes, mesmo se o investimento inicial for baixo, a taxa de retorno é muito longa e, por isso, não vale a pena investir, uma vez que o contrato de franquias dura apenas cinco anos”, alerta o diretor institucional. É importante fazer a conta de quanto tempo você terá lucro, descontando da duração do contrato o tempo para que o negócio atinja seu ponto de equilíbrio e comece a dar resultados efetivamente.

Passo #4

Escolher uma boa localização para a montagem do seu negócio é um fator crucial para o sucesso dele. Marcas presentes em grandes cidades já têm muitos franqueados. Isso faz com que seja difícil achar disponibilidade na região. Para a escolha, é preciso levar em consideração a concorrência presente e estudos de mercado e de potencial de consumo do local. “O franqueado é quem deve ir atrás do ponto, mas a franqueadora pode ajudá-lo no processo”, conta a fundadora do grupo Bittencourt.

Passo #5

Depois da escolha da franquia, faça uma visita à sede para ver se ela corresponde à imagem externa que passa. Também é importante analisar se você se identifica com a filosofia e o ambiente de trabalho, pois será aquele modelo de negócio que você seguirá.

Passo #6

Escolha, aleatoriamente, alguns franqueados da rede e faça uma visita ao negócio deles. Isso é importante para ter uma visão do dia a dia daquela franquia, além de saber como é a satisfação com o negócio, a relação com o franqueador, se o retorno do investimento ocorreu dentro do prazo previsto, dentre outras informações. Também é uma boa ideia buscar franqueados que saíram ou foram desligados das marcas para saber os desafios que você poderá enfrentar.

Passo #7

Por fim, contrate um advogado que tenha conhecimento na área de franquias para fazer a análise dos documentos do franqueador. Solicite da rede dados financeiros que comprovem a capacidade da franqueadora e que mostram se ela cumpre as exigências legais e se há problemas de falta de pagamento dos serviços contratados.

Passo a passo para abrir uma franquia

Depois de escolher a franquia ideal para o seu perfil, é preciso seguir os seguintes passos para dar início ao negócio:

  • Realize um pré-cadastro manifestando interesse em receber mais informações para ser um franqueado
  • Um consultor da franqueadora entrará em contato para fazer uma entrevista inicial e entender o interesse do candidato e seu histórico, além de verificar se a capacidade de investimento do candidato é compatível com o requerido pelo negócio
  • A franqueadora solicitará alguns documentos e certidões que comprovem a situação de regularidade do candidato. Ela também poderá realizar alguns testes de potencial e perfil
  • A franqueadora apresentará os números da operação, mostrando ao candidato o investimento detalhado e um demonstrativo de resultado para que ele possa entender exatamente todas as receitas e despesas da operação e seu potencial de ganho com o negócio
  • O candidato receberá a COF (Circular de Oferta da Franquia) e, após dez dias, poderá assinar o mesmo. Esse documento deve conter detalhes sobre o modelo de negócio, taxas do sistema e direitos e obrigações das partes

Uma vez que a duração do contrato de uma franquia é de apenas cinco anos, alguns pontos precisam ser levados em consideração. Não há garantia ou obrigatoriedade por parte do franqueador de renovar o contrato e, por isso, é preciso calcular o tempo de lucro efetivo, subtraindo os meses em que você terá apenas o retorno do investimento inicial. “Em média, uma franquia começa a dar lucro após 36 meses, que é quando o negócio chega em seu potencial máximo”, explica Juarez. Com isso, é possível calcular que o franqueado obterá apenas 24 meses de lucro.

Durante o tempo de contrato, o franqueado deve pagar algumas taxas à franqueadora pela concessão de direitos e uso da marca. São elas:

  • Taxa de franquia: pagamento único feito no ato da assinatura do contrato e a cada renovação, para que se torne um membro da rede. Essa taxa inicial é a autorização para que o franqueado explore e, com a ajuda do franqueador, escolha um território para abrir seu negócio. Ela também dá direito à capacitação, auxílio para a contratação da equipe, dentre outros treinamentos
  • Royalty: remuneração mensal pelo uso da marca. Consiste em uma porcentagem estabelecida pela franqueadora sob o faturamento bruto ou sob o volume de compras do franqueado para seu negócio
  • Fundo de propaganda: valor pago à franqueadora, mas que é revertido em marketing e outros esforços que beneficiem a imagem da marca

Manter contato frequente com a rede franqueada é essencial para a manutenção e bom funcionamento do negócio nos padrões pré-estabelecidos pela marca. “Para isso, é importante que haja um canal que centralize a comunicação entre ambas as partes, dando suporte para o franqueado sempre que necessário”, aconselha Cláudia.

A principal ferramenta de comunicação é o consultor de franquia, que acompanha as lojas para dar todo suporte necessário. “Uma das remunerações desse profissional é através de uma comissão calculada de acordo com volume de vendas da unidade. Portanto, é interessante para ele que a equipe esteja motivada e fazendo um bom trabalho”, conta Juarez. “É uma forma de ter um consultor satisfeito e um franqueado sendo bem assistido e obtendo sucesso nas vendas”, conclui.

Fotos: Getty Images