Como ajudar parentes financeiramente?

Por Mariana Castro em 30/08/2017

Laços familiares presumem que um membro sempre vai fazer o possível para apoiar e ajudar o outro. Por isso, diante de uma dificuldade financeira, é um alívio saber que você pode contar com a ajuda de um parente. Mas, é preciso ter cuidado na hora de oferecer ou aceitar um favor financeiro para evitar que alguém saia prejudicado ou que isso abale relações entre os membros da família.

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Como tudo que envolve finanças, ajudar um parente também precisa ser algo planejado e bem analisado. De acordo com o consultor do Sebrae-SP, João Carlos Natal, mais importante do que oferecer a ajuda financeira, é auxiliar a detectar a origem do problema, a fim de que ele não se repita e possa ser corrigido. Em alguns casos, se isso não for feito, o parente pode acabar atrapalhando, ao invés de ajudar.

“Muitas vezes, vemos filhos que constroem uma família e passam a ter uma realidade diferente dos pais, mas continuam pedindo dinheiro a eles”, conta o especialista. “Isso pode criar atritos no relacionamento do casal em um cenário no qual, por exemplo, a mãe do marido passa a fazer as compras da casa por conta das dificuldades financeiras que ele e a esposa enfrentam”, completa. Por isso, a postura dos pais pode ser de auxiliar, mas é importante que a ajuda seja capaz de detectar o problema, ao invés de arcar com os custos de vida do filho.

Uma forma de ajudar parentes sem comprometer o próprio orçamento é se planejando para manter um fluxo de caixa. É preciso calcular por quanto tempo a outra pessoa precisa de apoio e se você terá condições de ajudar durante todo o período. “Não adianta oferecer ajuda se isso for comprometer seu orçamento, pois você pode acabar cobrando a devolução desse valor em um espaço de tempo que nem sempre é viável para o outro”, aconselha João Carlos.

Uma boa ideia para evitar esse tipo de contratempo é organizar uma planilha com o valor emprestado e os planos para a devolução deste. Além disso, é aconselhável dar o dinheiro à vista ou usar transferências bancárias, ao invés de cheques e cartões, para um controle mais efetivo do empréstimo. “Em muitos casos, é importante que o parente reconheça o seu esforço ao oferecer uma ajuda financeira para que não banalize aquele dinheiro”, sugere o consultor.

Mais importante do que oferecer uma ajuda financeira, é auxiliar o parente a detectar a origem do problema para poder corrigi-lo

No caso de idosos, a ajuda deve ser calculada no orçamento por tempo indeterminado, uma vez que um aposentado, provavelmente, precisará desse dinheiro até o fim da vida. Fátima Gomez, gerente da Caixa Econômica, auxilia na renda de sua mãe há muitos anos e já planeja o valor como uma despesa obrigatória. “Quando meu pai faleceu, minha mãe dividiu os bens dele entre os filhos, com o combinado de que cada um lhe forneceria uma quantia que garantisse uma vida confortável”, conta. “Por isso, esse gasto sempre foi uma prioridade, uma vez que ela me deu condições para que eu começasse minha vida de forma mais estável”, completa Fátima.

Uma alternativa é pagar por uma conta específica, como o plano de saúde, por exemplo, como garantia de que o dinheiro está sendo gasto de acordo com as necessidades do parente. “Minha mãe se sente mal com a ajuda, mas eu sempre deixo claro que ela só precisa disso, atualmente, porque deu tudo que tinha para os filhos”, revela a gerente. “Por isso, sempre lhe enviei um montante em dinheiro para que ela gastasse como preferisse”, completa.

Nem todos os irmãos de Fátima cumpriram com o combinado e, com sua mãe precisando de mais cuidados de saúde, os gastos aumentaram e ela precisou aumentar a contribuição mensal. Tendo, ainda, três filhas, ela é um bom exemplo de como é importante ter um planejamento financeiro para que o dinheiro não falte nos momentos de necessidade.

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“Você evita que seus filhos precisem do seu dinheiro no futuro ao oferecer, desde cedo, uma boa educação financeira”, afirma João Carlos. A partir dos três anos de idade, os pais já podem montar com a criança um cofrinho para que ela aprenda o conceito de poupar, dentre outras estratégias. Assim, ela cresce reconhecendo a importância de criar uma reserva. “Da mesma forma que você está ensinando o seu filho, você deve aplicar o mesmo no seu dia a dia, se planejando e criando uma poupança, inclusive para caso seus pais precisem de ajuda no futuro”, conclui.

Fotos: Getty Images