Riscos e vantagens do jejum intermitente

Por Mariana Castro em 04/04/2018

Qualquer um que já tentou fazer dieta ouviu a recomendação de que deveria comer de três em três horas. Esse hábito acelera o metabolismo, controla os índices glicêmicos e de cortisol, que é o hormônio do estresse, além de dar maior saciedade. Mas, devido à influência das redes sociais, muitos estão entrando na “febre do jejum”, que consiste em longos períodos sem comer nada.

O jejum intermitente é uma dessas estratégias, que adquiriu popularidades nos últimos anos. Ele tem como base a intercalação entre a alimentação habitual e períodos de restrição calórica ou jejum. A técnica é polêmica uma vez que, muitas vezes, é praticada com base em informações equivocadas, sem evidências científicas ou divulgadas por pessoas sem qualificação para tal.

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“Apesar de ter aspectos positivos, muitos indivíduos podem não se beneficiar do jejum intermitente”, alerta a nutricionista Revilane Alencar Britto, da clínica Harmony Relações Médicas, em Maceió. Ele não é indicado, por exemplo, para crianças, adolescentes, gestantes, lactantes, pacientes com transtornos alimentares, incluindo a compulsão alimentar, atletas e pessoas que praticam atividades de alta intensidade.

“A dieta pode gerar efeitos colaterais em pessoas que praticam sem um controle profissional que avalie, por exemplo, o grau de hidratação e a qualidade do sono da pessoa”, explica ela. No caso de portadores de doenças crônicas, como diabéticos e cardiopatas, ainda não existem estudos que avaliem a eficácia e segurança do uso da técnica.

É por isso que, antes de se aventurar nesta nova tendência, é preciso consultar um médico ou nutricionista. “Só após a avaliação da composição corporal e da saúde geral, além de um bom período de acompanhamento nutricional, é que o paciente pode aplicar o jejum intermitente”, aconselha Revilane. Os sinais de que os resultados não estão sendo benéficos são efeitos colaterais como:

  • Dor de cabeça
  • Desmaio
  • Fraqueza
  • Desnutrição
  • Aumento da compulsão alimentar
  • Distúrbios de sono
  • Perda de massa magra
  • Queda de desempenho em atividades físicas

Mas afinal, como funciona o jejum intermitente?

O principal objetivo desse tipo de dieta não é o emagrecimento, mas estimular o corpo a ter melhores respostas em processos antioxidantes, detoxificantes e anti-inflamatórios, por exemplo. Além disso, seus benefícios são o efeito neuroprotetor, o aumento da longevidade e a melhora do desempenho cognitivo, da saúde cardíaca e dos níveis de glicose, insulina e colesterol no sangue. O jejum intermitente também oxida mais gordura, o que causa a perda de um percentual dela – e populariza a técnica entre quem quer perder peso.

“Geralmente, a recomendação é aplicar dezesseis horas de jejum por dia, duas vezes na semana, durante um período máximo de oito a doze semanas”, indica Revilane. “Nas horas após o jejum, a recomendação é reiniciar a dieta habitual, que deve ser rica em proteínas, vegetais, legumes, alimentos integrais e gorduras boas”, continua ela.

Para fazer a dieta é preciso avaliar, por exemplo, o grau de hidratação e a qualidade do sono da pessoa.

Existem também outras técnicas, como o jejum de 24 horas em dias alternados. Nesta estratégia, a recomendação é que, nos dias de jejum, a pessoa consuma 25% das suas necessidades energéticas, das 12h às 14h. Há ainda os praticantes do Ramadan, que se alimentam apenas após o pôr-do-sol durante 30 dias.

Neste caso, nem água é permitida durante o período de jejum. “Nos outros, a depender do profissional acompanhando, são liberadas as bebidas que não agregam calorias, como água e chá sem adição de açúcar ou aditivos químicos, além de café em pouca quantidade”, conclui a especialista.

Fotos: Getty Images