4 restaurantes de refugiados que você precisa conhecer em São Paulo

Por Mariana Castro em 23/11/2016

Segundo o Conare (Comitê Nacional para Refugiados), as solicitações de refúgio humanitário no país cresceram quase 3.000% entre 2010 e 2015. O país abriga, atualmente, cerca de 7.600 refugiados, de mais de 80 nacionalidades diferentes. Essas pessoas saem de seus países fugindo de desastres naturais, caso do Haiti, ou de guerras, como está acontecendo na Síria.

+ Espaço cultural promove “Jantar dos Refugiados” com comidas típicas em SP

+ Uma viagem pela gastornomia internacional no Brasil

Esse expressivo número de pessoas de diferentes culturas acaba por tornar ainda mais ampla a cena cultural de São Paulo. Na tentativa de recomeçar a vida por aqui, refugiados se utilizam da rica culinária de seus países para oferecer novas e deliciosas opções gastronômicas para a metrópole. Seus empreendimentos são viabilizados de formas diversas, como através do financiamento coletivo, por exemplo. Todos, entretanto, transparecem força de vontade e garantem uma viagem de volta à terra natal dos proprietários.

Confira alguns restaurantes de refugiados que você precisa conhecer na cidade:

Al Janiah

al janiah - reprodução

A ocupação Leila Khaled, que abriga refugiados sírios e palestinos no bairro do Glicério, foi onde cinco refugiados palestinos se conheceram e resolveram abrir um bar. Localizado no centro, o Al Janiah virou polo de integração entre brasileiros e imigrantes e palco de diversas discussões políticas. A casa foi aberta em janeiro e costuma lotar aos finais de semana, com atividades culturais e um cardápio típico da região. Além de falafel e kafta, compõem o menu drinques com referências políticas, como o Palestina Libre e o Retorno a Haifa.

Congolinária

congolinária - reprodução

Aberto em agosto no foodpark Quintal de Casa, no Itaim, o Congolinária oferece pratos veganos, como é comum na culinária de alguns países africanos. Luambo Pitchou, refugiado da República do Congo, oferece quitutes como o sambusa, salgado recheado com berinjela, cogumelos, abobrinha ou tomate, e o fufu, uma espécie de polenta. A ideia do proprietário é que seus pratos contem um pouco da história do seu país de origem. “Apresento minha comida e minha história. Ninguém aqui sabe o que é o Congo, e a discriminação vem desse desconhecimento”, falou ele à Folha.

Galeria Presidente

galeria presidente - reprodução

Talvez você ainda não tenha se dado conta, mas o prédio atrás da Galeria do Rock já virou ponto de encontro dos imigrantes de países africanos. A partir do segundo andar do edifício, você é transportado para outro país, onde todos falam idiomas africanos e as sinalizações se encontram em inglês. Nas vitrines da galeria, é possível encontrar produtos típicos do continente, como carne de cabra, farinha para fufu e clareadores de pele. Ali você também tem contato com diversos restaurantes, onde se come à mão para honrar os costumes daquele povo.

Talal Culinária Síria

talal - reprodução

O engenheiro Talal al-Tinawi foi, junto da sua família, um dos primeiros grupos da Síria a chegar no Brasil. “Lá na Síria eu tinha três lojas, um escritório, dois apartamentos e um carro. Tive que começar do zero aqui”, contou ele. Tendo chegado em 2013, ele conseguiu, três anos depois, abrir seu próprio restaurante através de uma campanha de financiamento coletivo. Mais de 800 pessoas contribuíram e o estabelecimento se tornou sucesso na Zona Sul. De segunda a sábado, o local funciona como self-service, das 12h às 16h. No domingo, o buffet tem valor fixo (de R$32 a R$42) e conta com cordeiro e churrasco sírio.

Fotos: Reprodução