Como transformar os cômodos em espaços mais aconchegantes?

Por Mariana Castro em 16/08/2017

A palavra lar está intimamente ligada à ideia de conforto e aconchego. A maioria das pessoas preza por chegar em casa e poder desfrutar de um ambiente que seja acolhedor e proporcione o relaxamento após a correria do dia a dia. Por isso, ter uma decoração que garanta essa sensação é um dos desejos durante a reforma de ambientes residenciais.

Antigamente, as pessoas decoravam a casa com diversas peças mobiliárias. Hoje, entretanto, a tendência é investir menos em objetos e mais em elementos que tragam a sensação de conforto. Nas grandes cidades, a vida prática pede ambientes mais limpos, sem tantos móveis e objetos, para facilitar a limpeza e contribuir com a praticidade.

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Segundo Ana Maria Fasanella, professora de arquitetura e urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a sensação de aconchego não tem a ver com o tamanho do cômodo. Um espaço amplo, por exemplo, ainda pode ser aconchegante se houver uma boa disposição de móveis e um equilíbrio entre outros elementos como cor, luz e piso. “Uma sala grande vazia não será aconchegante”, explica Ana Maria. “Por outro lado, um lugar pequeno e cheio de móveis e objetos será incômodo, sufocante. É preciso preencher o espaço com o necessário”, completa.

Pensando nisso, a professora sugere alguns truques para transformar os cômodos em espaços aconchegantes. Caso você tenha um cômodo grande, como salas e quartos, e ainda não quer investir em todos os itens de mobília, a dica é apostar no uso de carpete para ajudar na sensação de conforto. “Além disso, colocar um biombo dividindo a sala e mobiliar com sofá e poltrona apenas um pedaço pode ser uma boa saída”, aconselha ela.

Até a cozinha, que costuma ser um cômodo mais frio, pode ser aconchegante. Para isso, mais uma vez, é necessário equilibrar os elementos cor, luz e acabamento. Uma ideia é utilizar uma pintura fosca nas paredes onde não corre água e um tom mais amarronzado para o chão. Isso dará a sensação de calor ao ambiente. Além disso, aposte em uma iluminação que lembre à luz natural.

Para criar cômodos mais aconchegantes, Ana Maria revelou como unir os elementos cor, luz e acabamento e aplicá-los corretamente na casa. Confira:

Luz

A iluminação é uma ferramenta poderosa na hora de pensar em um cômodo, podendo deixá-lo mais aconchegante ou mais frio e amplo. Para um ambiente confortável, a luz natural é recomendável. “Mas, cuidado. A luz natural é diferente da exposição excessiva ao sol. Um ambiente que é iluminado com luz natural é aconchegante. Já sentar na sua sala com o sol batendo em você é incômodo”, conta a professora. Fluxos de luz mais amarelados também dão esse efeito pois simulam a luz do sol, que vem da natureza. “É comum se sentir mais à vontade na natureza do que em um ambiente artificial. Por isso, é válido apostar em opções cada vez mais naturais, como a luz do sol”, explica Ana Maria.

Materiais de acabamento

É preciso utilizar materiais adequados para que o ambiente fique aconchegante. Em uma sala de estar, por exemplo, colocar um piso cerâmico ou porcelanato brilhante é menos aconchegante do que um piso opaco, como cerâmica sem brilho ou madeira. “É preciso equilibrar o piso, parede, teto e mobília. Se você tiver um piso brilhante, é interessante pintar as paredes com cores opacas ou investir em uma cortina volumosa, com tecido rugoso, ao invés de uma lisa e reta”, afirma Ana Maria. “Se o chão for de madeira, uma cortina roll-on não tirará o efeito de conforto do ambiente”, completa.

Cores

A psicologia das cores pode explicar com clareza o efeito que elas proporcionam em um ambiente. Os tons são divididos entre quentes, frios e neutros e é preciso equilibrá-los com os materiais do ambiente. Usar apenas cores quentes, por exemplo, pode deixar o cômodo sufocante, enquanto cores frias causarão o efeito oposto. “As cores neutras, naturalmente, funcionam como um ponto de equilíbrio. Portanto, usá-las em combinação com cores quentes pode ser uma boa ferramenta para tornar o ambiente aconchegante”, aconselha a professora. A intensidade de luz nas cores também pode variar. “Existe o tom de vermelho mais quente, mas também existe o vermelho mais aberto e frio, e isso faz toda a diferença”, explica Ana Maria. Para evitar erros é importante pensar no ambiente como um todo, ao invés de olhar para os objetos e espaços de forma pontual.

Fotos: Getty Images