Relatar sintomas prolonga a vida de pessoas com câncer, diz estudo

Por Mariana Castro em 08/08/2017

É muito comum que as pessoas tentem relevar alguns sintomas que sentem no dia a dia. Muitos, inclusive, só procuram um médico em momentos de emergência. No caso de pacientes com câncer, entretanto, mudar esse hábito é fundamental e pode aumentar a expectativa de vida, segundo novos estudos.

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Especialistas do hospital Memorial Sloan Kettering, localizado em Nova York, nos Estados Unidos, usaram um programa online para desenvolver a pesquisa. Foram convidadas para participar do estudo 766 pessoas, divididas em dois grupos. Um deles recebeu o acompanhamento tradicional, enquanto o outro contou com a colaboração do software para que os médicos tivessem maior controle sobre os pacientes.

Através dessa ferramenta, os pacientes relatavam, imediatamente, qualquer mal-estar para a equipe de enfermagem. Isso foi pensado porque, após a quimioterapia, os pacientes costumam enfrentar sintomas severos, mas apenas metade dos casos chegavam a ser relatados para a equipe médica. Após a primeira sessão de tratamento, o programa já havia conseguido listar os doze principais sintomas, como perda de apetite, dificuldade de respirar, fadiga, ondas de calor, náusea e dor.

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Os resultados mostraram que aqueles que tiveram um maior acompanhamento de seus sintomas viveram uma média de cinco meses a mais do que os outros pacientes. O programa online também foi associado a uma melhor qualidade de vida, menos hospitalizações e visitas às salas de emergência e uma capacidade de tolerar a quimioterapia por mais tempo.

“Normalmente, a piora de alguns sintomas anuncia uma progressão do câncer nos pacientes em estágio avançado”, contou Bruce Johnston, presidente da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), ao Healthy Day. “Com uma melhor comunicação, os médicos têm a chance de tratar sintomas suspeitos a tempo”, completou.

Foto: Getty Images