Ducha íntima pode aumentar os riscos de câncer e HPV, aponta pesquisa

Por Mariana Castro em 06/09/2016

Talvez você nunca tenha ouvido falar, mas a ducha íntima é uma prática antiga e usada por muitas mulheres até hoje. Ela consiste em uma lavagem vaginal, que pode ser feita com uma mistura de água e vinagre ou através de antissépticos e fragrâncias. A limpeza completa geralmente é realizada após a menstruação ou quando há secreções vaginais, mas especialistas revelam que isso pode ter efeitos negativos a longo prazo.

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Pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, descobriram que a ducha íntima pode aumentar os riscos da mulher contrair HPV, uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns. Para o estudo, foram examinadas 1.271 mulheres com idades entre 20 e 49 anos. Os resultados mostraram uma probabilidade 26% maior de contrair infecções para mulheres que faziam uso da ducha vaginal. Mais preocupante ainda, essas mulheres tinham 40% mais chances de contrair o vírus do HPV.

Além disso, de acordo com uma pesquisa do National Institute of Environmental Health Sciences (NHS), a ducha vaginal quase duplica as chances da mulher desenvolver câncer de ovário. Tudo isso acontece pois a limpeza pode atrapalhar a ação das bactérias vaginais, tornando a região mais suscetível à infecções e inflamações.

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“A vagina contém mais bactérias do que qualquer outra parte do corpo, mas essas bactérias estão ali por um motivo”, escreveu Ronnie Lamont, professor e porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, no site do NHS. “Eu não consigo pensar em circunstâncias em que a ducha vaginal seja positiva, porque ela consiste em lavar tudo que há dentro da vagina, o que inclui bactérias saudáveis”.

Por isso, a melhor maneira de higienizar a região íntima é com água e, no máximo, um sabonete neutro na região externa. Também é importante manter a área sempre ventilada, com roupas mais folgadas e, se possível, dormindo sem calcinha.

Foto: Thinkstock