Cientistas descobrem que sensibilidade à dor pode ser adquirida socialmente

Por Mariana Castro em 25/10/2016

Quando todos ao seu redor estão tristes, a probabilidade de você também se sentir para baixo é grande. O mesmo vale para emoções positivas: estar cercado de pessoas otimistas, gratas e felizes é um grande facilitador para que você se sinta da mesma maneira. Mas, até agora, não se sabia que a dor física também era passada pelo contato entre as pessoas. É o que revela um novo estudo realizado por pesquisadores da Oregon Health and Science University, nos Estados Unidos.

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Para o experimento, ratos de laboratório passaram por uma série de testes indolores que causariam, no máximo, cócegas. Mas os roedores reagiram como se seus pés estivessem queimando. A pesquisa sugere que os ratos captaram essa alta sensibilidade de outros ratos que foram submetidos à dor. Os dois grupos estavam em uma mesma sala, em gaiolas com aproximadamente 1,5 metro de distância entre elas e sem conseguirem se ver.

Os cientistas acreditam que eles adquiriram a sensação através do cheiro. “Nós mostramos, pela primeira vez, que não é necessário um ferimento ou inflamação para desenvolver um estado de dor”, falou o pesquisador e neurocientista da universidade, Andrey Ryabinin, ao Daily Mail. “A dor pode acontecer simplesmente por trocas sociais”. Décadas de estudo e evidências também concluem que o mesmo se aplica a humanos.

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Os pesquisadores ainda foram além. Eles separaram três grupos de ratos: um viciado em drogas e dois sem problemas de saúde. Os ratos viciados ficavam em uma gaiola no mesmo ambiente que uma das gaiolas de ratos saudáveis, enquanto o outro grupo vivia separadamente.

Os resultados mostraram que os roedores que viviam separados tinham uma sensibilidade para dor considerada normal. Enquanto isso, os ratos saudáveis que dividiam o ambiente com ratos viciados consideravam até o menor dos acontecimentos em seus corpos dolorido. Ryabinin ainda pegou traços dos ratos contaminados e os implantou no ambiente com ratos saudáveis. Eles, então, começaram a sentir dores mais profundamente. O time concluiu que o cheiro é a causa mais clara deste contágio.

Foto: Getty Images