Ciência está cada vez mais perto de conseguir “apagar” memórias ruins

Por em 13/05/2016

Todos nós já vivemos experiências no passado que gostaríamos de apagar: términos de relacionamentos, experiências traumáticas, perdas. Mas, muitas vezes, não importa o quanto tentemos, essas memórias continuam a nos assombrar, desencadeando crises de ansiedade, fobias ou distúrbios de estresse pós-traumático.

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Agora, um estudo mostra que as memórias não são tão permanentes quanto se pensava. Na verdade, cientistas descobriram um método para apagar memórias ruins e adicionar novas no lugar.

No passado, acreditava-se que as memórias ficavam armazenadas em um local específico, como um armário de arquivo neurológico. Mas, na realidade, a química é quem age como essa “máquina”.  Cada vez que lembramos de algo, proteínas estimulam nossas células cerebrais para crescerem e criarem conexões. E toda a vez que isso acontece com uma memória ruim, substâncias como a norepinefrina e a noradrenalina entram em cena.

O que os estudos mostram é que se essas substâncias podem ser bloqueadas a partir de uma pílula e, se trabalhadas junto com o redirecionamento da mente, as pessoas podem sim superar grandes traumas até que sua memória apague o que lhe faz mal.

Devido às implicações éticas, os pesquisadores ainda não tentaram, explicitamente, excluir uma memória em sua totalidade em seres humanos, mas a evidência sugere que isso seria possível, dada a combinação certa de medicamentos e exercícios de recall.

O ponto mais preocupante da pesquisa é a investigação sobre como isso torna fácil para os cientistas implantar falsas memórias em pessoas. Ao manipular o mesmo processo de reconsolidação, a psicóloga Julia Shaw tem mostrado que é possível fazer as pessoas se lembrarem de um crime que nunca cometeram — e até mesmo fornecer detalhes vívidos sobre o evento fictício.

Você pode ver o seu trabalho em ação abaixo — um tanto assustador, por sinal:

Segundo Michael Bicks, diretor do documentário Memory Hackers, em última instância, o objetivo do projeto não é eliminar memórias dolorosas das pessoas inteiramente, como tentam fazer em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, mas simplesmente ajustá-las para que elas sejam menos perturbadoras.

Não são exatamente as memórias que nos causam dor, mas as associações que fazemos a elas. “Não queremos limpar nossos ‘hard drives’. A habilidade de esquecer coisas doloridas nos permite criar novas histórias sobre quem somos”, conclui.