Alergia alimentar: conheça os sintomas, causas e tratamento

Por Patricia Machado em 10/08/2017

Ingerir um alimento e, em pouco tempo, sentir coceira na pele ou observar sinais como vermelhidão e inchaço requer cuidado e atenção. Isso pode significar que você está tendo uma reação alérgica à comida consumida. O problema é mais comum do que se imagina e pode afetar a qualidade de vida das pessoas, causando sérios problemas de saúde.

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“A alergia alimentar é uma reação adversa a um alimento específico que envolve o sistema imunológico. O paciente apresenta vários sintomas, que podem surgir na pele e no sistema gastrintestinal e respiratório”, explica Yara Arruda Mello, alergologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. “As reações podem ser leves, como uma simples coceira nos lábios, ou graves, podendo comprometer vários órgãos”, completa.

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, cerca de 5% da população possui algum tipo de alergia alimentar. O problema acomete entre 6% e 8% das crianças com menos de 3 anos e entre 2% e 3% dos adultos. Além disso, inúmeras pesquisas mostram que o número de casos vem aumentando em diversos países.

“A intolerância a um determinado alimento costuma ser confundida com a alergia alimentar. A intolerância à lactose, por exemplo, é muitas vezes compreendida como uma alergia ao leite de vaca. Isso é um equivoco, pois a intolerância à lactose ocorre devido a perda da capacidade do indivíduo em digerir o açúcar do leite, o que não envolve o mecanismo imunológico e, portanto, não oferece riscos de manifestação dos sintomas alérgicos”, esclarece a alergologista.

Pessoas que possuem alergia alimentar podem apresentam sintomas pouco tempo depois de consumirem o alimento alérgico. A alergia pode apresentar sinais na pele, como coceiras, vermelhidão e inchaço, e também pode afetar o aparelho gastrointestinal, causando vômitos e diarreia, e o sistema respiratório, que pode apresentar sinais como tosse, rouquidão e chiado no peito. Nas crianças pequenas, a alergia pode gerar perda de sangue nas fezes, o que vai ocasionar anemia e retardo no crescimento.

Em casos mais graves, a alergia pode comprometer vários órgãos. “A reação alérgica mais temida é a anafilaxia, que consiste em uma reação súbita e grave que impõe socorro imediato por ser potencialmente fatal. Esta reação se caracteriza por coceira generalizada, inchaços, tosse, rouquidão, diarreia, dor na barriga, vômitos, aperto no peito, queda da pressão arterial, arritmias cardíacas e colapso vascular”, alerta Yara.

O que pode causar a alergia alimentar?

Qualquer alimento pode causar uma reação alérgica porque o problema está relacionado a sensibilidade de cada indivíduo. No entanto, alguns itens costumam provocar o problema de saúde. “Na maioria dos casos, as pessoas apresentam alergia a alimentos como leite de vaca, frutos do mar, ovo, soja, trigo, peixe, amendoim, castanhas e produtos que contêm corantes, conservantes e glutamato monossódico”, explica Cyntia Maureen, nutricionista e consultora da Superbom, empresa alimentícia especializada na fabricação de produtos saudáveis.

Alimentos como leite de vaca, frutos do mar, ovo, soja, trigo, peixe, amendoim e castanhas costumam causar alergia

A reação alérgica também pode ser causada por uma predisposição genética ou por alterações intestinais que fazem com que haja maior sensibilidade a determinados alimentos. Além disso, pacientes com doenças alérgicas apresentam maior incidência de alergia alimentar, sendo encontrada em 38% das crianças com dermatite atópica e em 5% das crianças com quadros de asma.

“É importante ressaltar que, no caso de sensibilidade alérgica, a quantidade de alimento ingerido não determina a gravidade da reação. Muitas vezes, o indivíduo alérgico ingere algo que contenha apenas traços do alimento em questão e já apresenta a manifestação clínica da alergia”, alerta Yara.

Como identificar e tratar o problema?

O diagnóstico da alergia alimentar é feito, principalmente, pelo histórico clínico do paciente. O problema também pode ser confirmado através de testes cutâneos, exames laboratoriais ou até mesmo por testes de provocação, que precisam ser realizados por especialistas em alergologia e em ambientes adequados.

“É importante que todo o histórico e rotina do indivíduo sejam analisados para que se possa correlacionar os tipos de alimentos à recorrência de sintomas alérgicos”, afirma a nutricionista. “Não existe um tratamento específico para casos de alergia alimentar. O mais indicado é substituir o alimento alergênico, excluindo-o totalmente do cardápio”, completa.

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Apesar das crianças apresentarem maiores índices de alergia alimentar, cerca de 85% delas perdem a sensibilidade a maioria dos alimentos, como ovos, leite de vaca, trigo e soja, que lhes provocou alergia entre os 3 e 5 anos de idade. No entanto, a sensibilidade ao amendoim, nozes, peixe e camarão raramente desaparece.

A forma mais efetiva de prevenir o problema é através do aleitamento materno, que é responsável por fortalecer o sistema imunológico da criança. Além disso, especialistas recomendam a introdução tardia dos alimentos sólidos que são potencialmente provocadores de alergia.

“Alimentos sólidos, principalmente os mais alérgicos, devem ser introduzidos apenas após o primeiro ou segundo ano de vida da criança porque ela terá um organismo mais maduro para poder assimilar os diferentes tipos de alimentos que forem oferecidos”, orienta Cyntia.

Fotos: Getty Images