Álcool compromete o cérebro mesmo sem causar embriaguez, diz pesquisa

Por Mariana Castro em 20/04/2017

Pessoas que bebem com frequência cultivam a crença de que seus corpos já estão mais acostumados com o álcool e que, por isso, não são tão afetados pela substância. Eles podem até precisar de uma quantidade maior de bebida alcóolica para ficarem embriagados, mas isso não quer dizer que o organismo não esteja sentindo o efeito dos drinques, o que pode ser muito perigoso.

+ Pesquisa mostra que homens precisam consumir bebidas alcoólicas para socializar

+ Beber energético com álcool tem efeito semelhante ao da cocaína, diz pesquisa

Segundo um estudo realizado pelo Sistema de Saúde para Veteranos do Exército de San Diego, nos Estados Unidos, pessoas mais ‘tolerantes’ ao álcool também apresentam redução da velocidade das habilidades motoras, memória de curto prazo e processamento complexo mais lento. Além disso, quando sóbrias, pessoas que bebem com mais frequência demonstram menor percepção de danos, o que gera ainda mais riscos quando bêbados.

Para a pesquisa, 105 pessoas foram monitoradas ao longo de cinco anos. Dentre elas, foram observados os bebedores assíduos, que consumiam em torno de 10 a 40 doses de álcool por semana, e os bebedores leves, que bebiam menos de seis doses por semana. Os participantes passaram por diversos testes depois de terem consumido uma dose de álcool antes do experimento.

+ Abusar do álcool na adolescência afeta a memória, diz pesquisa

+ Consumir bebida alcoólica aumenta o apetite, comprova estudo

Os resultados mostraram que o desempenho de bebedores experientes, em alguns testes, foi o mesmo de pessoas que bebem casualmente. O que mais chamou atenção foi o fato de terem menores níveis de autopercepção, o que significa que eles conseguem realizar tarefas simples que demonstram um nível de embriaguez menor do que o real.

Dessa forma, uma pessoa consegue chegar até seu carro, abrir a porta e ligar o automóvel, por exemplo, sem perceber dificuldades ligadas ao álcool. “No entanto, ao começar a dirigir, as demandas cognitivas e psicomotoras aumentam significativamente e, provavelmente, ele não estará apto para elas. Apesar disso, a decisão de dirigir já foi feita com base nas tarefas simples anteriores”, explicou Ty Brumback, autor do estudo e especialista em tratamento de vício, ao Daily Mail.

Foto: Getty Images