73% da população que consome açúcar e pratica atividade física está com o peso adequado

Por em 24/05/2016

Alguma vez você já se perguntou se era possível não excluir o açúcar da dieta e, ainda assim, manter o peso? Se você ainda tinha dúvidas, temos boas notícias! Uma pesquisa realizada pelo Instituto Dante Pazzanese acaba de comprovar que isso é muito plausível.

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De acordo com o estudo “Consumo equilibrado: uma nova percepção sobre o açúcar”, pela Campanha Doce Equilíbrio, que entrevistou 1199 homens e mulheres de 18 a 85 anos, 73% da população que consome açúcar e pratica atividade física está com peso adequado.

O resultado reforça o que diretrizes nutricionais já indicam no que diz respeito a não “vilanização” de ingredientes e ao uso do açúcar dentro de um estilo de vida saudável.

De acordo com Daniel Magnoni, cardiologista e chefe de nutrição do Instituto Dante Pazzanese, o açúcar é considerado prejudicial porque a população o enxerga isoladamente, se esquecendo de outro componente importante: o estilo de vida. “O ingrediente só é negativo quando ingerido em grande quantidade e somado à uma vida de excessos, estresses e sedentarismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 10% das calorias totais diárias podem ser obtidas através do açúcar”.

O preparador físico Márcio Atalla observa a recomendação da OMS para que as pessoas sejam ativas. “Para adultos entre 18 e 64 anos é preciso pelo menos 150 minutos de atividade por semana, o que é aproximadamente 30 minutos por dia. Vale ressaltar que o movimento está relacionado à medicina preventiva”, orienta Atalla.

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Segundo o endocrinologista e responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, Marcio Mancini, o sedentarismo é um dos principais fatores em relação ao estilo de vida da população e ao desenvolvimento de doenças como a obesidade. Os dados da pesquisa mostram que apenas 30% dos entrevistados praticam atividades físicas. Apesar da taxa baixa, desse total, 67% ingerem açúcar e, dos que consomem, a maioria (73%) ainda mantém o peso adequado.

“Esse índice mostra que o ingrediente não é a principal causa da obesidade ou do sobrepeso, e sim um coadjuvante. Doenças como obesidade e diabetes são multifatoriais, ou seja, podem ter diversas causas, sendo que nenhuma delas é o consumo isolado do açúcar. No caso do diabetes, já sabemos que a sacarose não aumenta mais a glicemia do que outros carboidratos quando ingerida em quantidade equivalente. Isto é, o açúcar pode ser inserido em uma dieta saudável”, explica o endocrinologista.

A pesquisa mostra que 71% dos entrevistados consomem açúcar habitualmente. Desse total, 46,5% utilizam o ingrediente de uma a três vezes na semana, sendo que a preferência (85%) é pelo tipo branco. “Existe um terrorismo nutricional. Pessoas buscando dietas restritivas e da moda, se esquecendo do prazer de comer e, principalmente, do saber se alimentar. Nenhum exagero é saudável, seja o consumo excessivo ou escasso de determinado ingrediente”, salienta Marcia Daskal, nutricionista e proprietária da Recomendo Assessoria em Nutrição.

Além disso, o cardiologista Daniel Magnoni acredita que é preciso trabalhar os conceitos de educação nutricional com a população e ensinar de que forma o açúcar pode ser usado. Menos da metade, 36% dos entrevistados têm o costume de olhar os rótulos dos produtos. Desse contingente, 54% buscam informações sobre o açúcar especificamente. “Há um certo grau de dificuldade para diferenciar o açúcar adicionado com o presente nos alimentos. É muito importante trabalhar junto à população os conceitos de rotulagem e de consumo consciente”, salienta o especialista.

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Ainda de acordo com a amostra, em uma pergunta de múltipla escolha, 88% dos que consomem açúcar afirmaram utilizar o ingrediente no chá ou café, 61,5% no preparo de sobremesas e bolos, 57% nos sucos e 42% no leite. Além disso, 46% afirma ingerir doces (bolo, tortas etc) de uma a três vezes por semana e 26% todos os dias.

“Com esta pesquisa, tivemos mais uma comprovação de que o açúcar faz parte da rotina do brasileiro de forma significativa. Muito tem se falado do ingrediente como o vilão da saúde, fato que não se comprova. É preciso sempre lembrar do consumo equilibrado que, uma vez colocado em prática, não traz nenhum risco”, finaliza o cardiologista.