Trabalhar ou estudar antes das 10h pode deixar as pessoas doentes e estressadas

Por Ugor Feio em 14/12/2015

A Universidade de Oxford afirma que trabalhar ou estudar antes das 10h pode deixar as pessoas doentes e estressadas.

Segundo pesquisa, cinco em cada nove funcionários correm um risco maior de saúde, pois o horário do início do trabalho deve se encaixar ao relógio biológico. Forçar o funcionário a trabalhar antes das 10h pode deixá-lo doente e estressado, afirma o estudo. Dr. Paul Kelley, pesquisador da Universidade de Oxford, defende a necessidade de uma enorme mudança social para mudar o início da jornada de trabalho e escolar.

Estudos dos batimentos cardíacos mostram que, crianças com até 10 anos de idade não conseguem se concentrar adequadamente aos estudos antes de 8h30. Da mesma forma, um adolescente deve começar as atividades acadêmicas às 10h para obter melhor rendimento, e estudantes universitários para obter o mesmo resultado, devem iniciar suas atividades às 11h.

Mudança de hábito

O pesquisador acredita que simplesmente mudando os horários escolares, o desempenho dos estudantes poderia aumentar em 10%. Ele costumava ser professor do ensino fundamental na escola Monkseaton, no município de North Tyneside, onde mudou o início das aulas de 8h30 para às 10h e, com isso, aumentou o desempenho escolar em 19%, superando suas expectativas.

Da mesma forma, as empresas que obrigam funcionários a começar a jornada de trabalho mais cedo, estão suscetíveis a estar prejudicando a sua produção, enquanto acumulam problemas de saúde para sua equipe.

“Este é um enorme problema da sociedade”, disse Dr. Kelley no British Science Festival, em Bradford. “Nós temos uma comunidade inteira que sofre com a privação de sono”.

“Seu fígado e seu coração têm padrões diferentes, e você está pedindo-lhes para mudar duas ou três horas de seu funcionamento. Esta é uma questão internacional. Todo mundo sofre as consequências”, afirma.

A privação do sono tem demonstrado grandes impactos à saúde. Apenas uma semana com o sono menor que 6 horas por noite, leva a 711 mudanças nas funções genéticas.

Impactos no corpo humano

A falta de sono impacta no desempenho, na concentração, na memória de longo prazo, e incentiva o uso de drogas e álcool. Isso, além de poder levar à exaustão, ansiedade, frustração, raiva, comportamento impulsivo, ganho de peso e pressão arterial, baixa imunidade, estresse e uma série de condições na saúde mental.

Os neurocientistas dizem que os adolescentes são biologicamente predispostos a ir dormir à meia noite e não se sentem totalmente dispostos até às 10h.

Dr. Kelley disse que os alunos estavam perdendo cerca de 10 horas de sono por semana, porque eles eram forçados a levantar-se muito cedo.

“Só alterando a hora de início do dia letivo você pode melhorar a qualidade de vida de gerações inteiras de crianças. Temos aqui a oportunidade de fazer algo que irá beneficiar milhões de pessoas no planeta”, acrescentou.

Dezenas de milhares de crianças estão começando a escola às 10h em um experimento inovador de Oxford. A ideia é provar que as turmas que entram mais tarde podem melhorar os resultados dos exames finais.

Estudo científico sobre o sono

O General Certificate of Secondary Education (GCSE), exame de qualificação acadêmica obtida em uma matéria específica por estudantes entre 14 a 16 anos, de mais de 100 escolas em toda a Inglaterra, vai fazer parte do projeto de quatro anos que, com base em estudos científicos, quer provar que adolescentes estão fora de sincronia com a escola tradicional. A equipe espera publicar os resultados do estudo em 2018.

Um porta-voz do Ministério da Educação de Londres disse: “Nós demos a todas as escolas a liberdade de controlar o cumprimento do dia na escola, porque eles estão em melhor posição para saber o que é melhor para suas comunidades”.