Seis dicas para ser feliz, segundo professor de psicologia de Harvard

Por em 11/09/2015

Parece título de livro de autoajuda mas, ao que tudo indica, os segredos para a felicidade podem ser encontrados em um estudo incrivelmente profundo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, eleita a melhor do mundo pelo 13º ano consecutivo.

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De acordo com o israelense Tal Ben-Shahar, professor de psicologia da universidade e especialista em psicologia positiva, uma das correntes mais presentes e aceitas no mundo e que ele próprio define como “a ciência da felicidade”, a alegria pode ser aprendida do mesmo jeito que uma pessoa pode aprender a esquiar ou a jogar golfe: com técnica e prática.

Com seu best-seller Being Happy (Sendo Feliz, em tradução livre) e suas aulas magistrais, os princípios tirados de seus estudos já rodaram o mundo sob o lema “não é preciso ser perfeito para levar uma vida mais rica e mais feliz”. O segredo parece estar em aceitar a vida tal como ela é. De acordo com Ben-Shahar, “isso o libertará do medo do fracasso e das expectativas perfeccionistas”.

Confira agora seis dicas para ser feliz, de acordo com os estudos do professor:

Perdoe seus fracassos e mais: festeje-os

“Assim como é inútil se queixar do efeito da gravidade sobre a Terra, é impossível tentar viver sem emoções negativas, já que fazem parte da vida e são tão naturais quanto a alegria, a felicidade e o bem-estar. Aceitando as emoções negativas, conseguiremos nos abrir para desfrutar a positividade e a alegria”, diz o especialista. Temos que nos dar o direito de ser humanos e perdoar nossas fraquezas. Ainda em 1992, Mauger e seus colaboradores estudaram os efeitos do perdão, constatando que os baixos níveis de perdão estão relacionados à presença de transtornos como depressão, ansiedade e baixa autoestima.

Não veja as coisas boas como garantidas, mas seja grato por elas

Coisas grandes ou pequenas. “Essa mania que temos de achar que as coisas são garantidas e sempre estarão aqui são pouco realistas.”

Pratique um esporte

Para que isso funcione, não é preciso malhar numa academia até se cansar ou correr 10 quilômetros por dia. Basta praticar um exercício suave, como caminhar em passo rápido por 30 minutos diários, para que o cérebro secrete endorfinas, essas substâncias que nos fazem sentir “drogados” de felicidade, porque na realidade são opiáceos naturais produzidos por nosso próprio cérebro, que mitigam a dor e geram prazer. A informação é do corredor especialista e treinador de easyrunning Luis Javier González.

Simplifique, no lazer e no trabalho

“Precisamos identificar o que é verdadeiramente importante e nos concentrar nisso”, propõe Tal Ben-Shahar. Já se sabe que, quem tenta fazer demais, acaba conseguindo realizar pouco e, por isso, o melhor é se concentrar em algo e não tentar fazer tudo ao mesmo tempo. O conselho não se aplica apenas ao trabalho, mas também à área pessoal e ao tempo de lazer. “É melhor desligar o telefone e se desligar do trabalho nessas duas ou três horas que você passa com a família”.

Aprenda a meditar

Esse simples hábito combate o estresse. Miriam Subirana, doutora pela Universidade de Barcelona, escritora e professora de meditação e mindfulness, assegura que “à longo prazo, a prática regular de exercícios de meditação ajuda as pessoas a enfrentarem melhor as armadilhas da vida, superarem as crises com mais força interior e serem mais elas mesmas diante de qualquer circunstância”. Ben-Shahar acrescenta que a meditação também é um momento conveniente para orientar nossos pensamentos para o lado positivo; embora não haja consenso de que o otimismo chegue a garantir o êxito, ele lhe trará um grato momento de paz.

Treine a resiliência

A felicidade depende de nosso estado mental, não de nossa conta corrente. Concretamente, “nosso nível de felicidade vai determinar ao que nos apegamos e a força do sucesso ou do fracasso”. Isso é conhecido como locus de controle, ou “o lugar em que situamos a responsabilidade pelos fatos”, um termo descoberto e definido pelo psicólogo Julian Rotter em meados do século 20 e muito pesquisado com relação ao caráter das pessoas. Os pacientes depressivos atribuem seus fracassos a eles próprios e o sucesso a situações externas, enquanto as pessoas positivas tendem a pendurar-se medalhas no peito, atribuindo os problemas a outros. Mas assim perdemos a percepção do fracasso como “oportunidade”, algo que está muito relacionado à resiliência, conceito que se popularizou muito com a crise e que foi emprestado originalmente da física e engenharia, áreas nas quais descreve a capacidade de um material de recuperar sua forma original depois de submetido a uma pressão deformadora. “Nas pessoas, a resiliência expressa a capacidade de um indivíduo de enfrentar circunstâncias adversas, condições de vida difíceis e situações potencialmente traumáticas, e recuperar-se, saindo delas fortalecido e com mais recursos”, diz o médico psiquiatra Roberto Pereira, diretor da Escola Basco-Navarra de Terapia Familiar.

Com informações do jornal El País