Como se proteger do zika vírus

Por Patricia Machado em 17/01/2017

O vírus zika é apontado como o principal agente causador do aumento dos casos de bebês com microcefalia no país.

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A microcefalia é uma má formação cerebral que faz com que bebês nasçam com a circunferência cerebral menor do que o esperado – geralmente inferior a 33 cm. Isso traz consequências para o desenvolvimento de funções motoras e cognitivas da criança.

“As crianças nascidas com essa alteração podem apresentar dificuldade na amamentação, crises convulsivas, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, prejuízo intelectual e déficit motor”, explica Aleksandro Belo Ferreira, pediatra do Hospital Assunção.

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O modo mais conhecido de transmissão do vírus é por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e febre do Chikungunya. “A pessoa infectada apresenta febre, que não é tão alta como a da dengue, dores musculares e manchas, que são mais evidentes no tronco e causam coceira. Esse quadro dura entre 3 e 4 dias e desaparece com ou sem tratamento”, explica Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Devido ao aumento dos casos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde emitiram alerta mundial sobre uma epidemia de vírus zika.

Como se proteger do zika vírus?

O primeiro passo para se proteger do vírus que pode causar a microcefalia é eliminar os possíveis focos do mosquito e evitar viajar para as áreas endêmicas. Além disso, é importante utilizar calças e blusas de manga comprida e tecidos grossos para diminuir as áreas expostas do corpo.

“O que muita gente não sabe é que roupas com cores escuras e alguns perfumes atraem os insetos”, explica Aleksandro. A instalação de telas protetoras em janelas e portas e mosquiteiros sobre a cama também são alternativas para se proteger do mosquito.

“O mosquito costuma agir no começo e no final do dia. É importante ficar atento à presença deles até às 9h e entre às 17h e 21h”, afirma Wylma Maryko Hossaka, pediatra do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

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Para prevenir a doença, recomenda-se ainda o uso de repelentes em adultos e crianças a partir dos 6 meses. Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, as três substâncias capazes de afastar o mosquito Aedes aegypti são icaridina, IR3535 (etil butilacetilaminopropionato) e DEET (dietiltoluamida).

“Atualmente, o repelente mais utilizado é a base de icaridina, porque ele tem maior duração, que é de cerca de 10 horas. Os demais repelentes apresentam um intervalo de aplicação menor. Dependendo do produto escolhido, é importante repassá-lo a cada 2 ou 4 horas”, diz Wylma.

De acordo com o pediatra Aleksandro, ao escolher o repelente é importante observar a concentração do princípio ativo:

  • IR3535 entre 12,5% e 20%: para crianças acima de 6 meses. Exemplo do produto: Johnson & Johnson® loção anti-mosquito
  • DEET entre 5% e 10%: utilizado em crianças com mais de 2 anos. Exemplo do produto: OFF Kids®
  • Icaradina entre 10% e 25%: usado a partir de 2 anos de idade e em gestantes. Exemplo de produto: Exposis®

Cuidados na hora de passar o repelente

  • O repelente deve ser usado somente nas áreas expostas
  • O produto deve ser aplicado sobre as roupas
  • Sempre aplique o repelente por último, ou seja, por cima do hidratante, filtro solar ou maquiagem
  • Verifique na embalagem o tempo de duração do repelente e sempre reaplique o mesmo nos intervalos indicados
  • Evite o contato do repelente com as mucosas (olho, boca, nariz)
  • No caso de crianças pequenas, evite passar o repelente na mão porque elas podem colocar o membro na boca
  • Recomenda-se que os pais passem o repelente primeiro na sua mão e depois passem na criança. Isso ajuda a evitar qualquer tipo de alergia

“É importante evitar o uso de soluções caseiras, citronela ou mesmo vitamina B para se proteger do vírus zika. Não existem estudos que comprovem a eficácia disso na proteção contra o mosquito”, orienta Wylma.

Como escolher um bom repelente

A associação Proteste avaliou dez marcas de repelentes existentes no mercado para descobrir a real proteção (em horas) contra as espécies de mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus, a veracidade das informações do rótulo e se a composição dos produtos apresenta risco de causar alergias ou efeitos adversos a longo prazo.

Dentre os produtos para uso familiar, a marca Exposis teve o melhor desemprenho no teste de eficácia. Trata-se de um repelente à base de icaridina que está entre os recomendados por Javier Miguelez, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim.

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Foto: Thinkstock / Pixabay