Quando fazer um empréstimo bancário?

Por Patricia Machado em 02/08/2017

Quando os ganhos mensais passam a ser insuficientes e as contas começam a atrasar, é comum que muitas pessoas se desesperem. Afinal, o endividamento gera os temidos juros, que aumentam ainda mais o montante que precisa ser quitado.

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De acordo com um levantamento feito pela Serasa Experian, 61 milhões de pessoas estavam inadimplentes em maio deste ano. Segundo a empresa, este é o maior número desde 2012.

Nessas horas, conseguir um empréstimo bancário parece ser a única solução. “Muitas pessoas consideram solicitar um empréstimo bancário quando não estão conseguindo administrar as finanças e estão com as contas atrasadas, nome negativado e restrições no mercado”, explica Reinaldo Domingos, especialista em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros.

Financiamentos, empréstimos consignados e até mesmo o limite do cartão de crédito e cheque especial são formas encontradas pelos bancos para emprestar dinheiro aos clientes. No entanto, a ideia de trocar uma dívida por outra só deve ser considerada quando há uma queda nos juros.

“O principal equívoco é solicitar um empréstimo sem saber se conseguirá pagá-lo. No caso do empréstimo consignado, por exemplo, a parcela é abatida diretamente do salário, ou seja, há uma redução drástica da renda, que pode chegar a 35%”, afirma Reinaldo.

O que considerar antes de solicitar um empréstimo?

Antes de optar pelo empréstimo bancário, é preciso traçar um diagnóstico financeiro e fazer um planejamento. Isso significa que a pessoa deve conhecer as suas despesas e eliminar todos os gastos, além de considerar com cautela os próximos passos.

Outra recomendação é avaliar se é possível renegociar a dívida com os credores. Muitas vezes, isso é uma boa alternativa. Mas, se mesmo assim, o endividado optar pelo empréstimo, ele deve fazer um planejamento para, após quitar as dívidas, ter dinheiro para arcar com as parcelas do empréstimo.

Trocar uma dívida por outra só deve ser considerado quando há uma queda nos juros

“É preciso estar seguro com o valor que será pago mensalmente, ou seja, ter consciência de que será possível pagar o empréstimo. É importante também analisar quais implicações podem ocorrer caso a pessoa não pague conforme o combinado e comparar taxas de juros de diversas instituições financeiras”, diz o especialista. “Também é válido considerar cooperativas de crédito, que costumam oferecer taxas menores que os bancos”, completa.

Quais dívidas devem ser priorizadas?

A escolha das dívidas a serem pagas deve ser feita antes do momento de solicitar o empréstimo. Está é uma das tarefas do planejamento. “O ideal é levantar todas as dívidas e conhecer o saldo devedor, taxas de juros e condições de pagamento. É válido priorizar as dívidas que se referem a serviços essenciais, que são aqueles não podem ser cortados, como aluguel, energia elétrica e água, e as dívidas que têm juros mais altos, como cheque especial e cartão de crédito”, orienta Reinaldo.

Muitas vezes, bens são atrelados como garantia e podem ser tomados com o não pagamento do empréstimo. Por isso, optar por um empréstimo pode gerar um grande desgaste emocional.

Como evitar dívidas futuras?

Ao quitar todas as dívidas, é importante compreender quais hábitos e comportamentos causaram essa situação. Além disso, antes de fazer uma compra, a pessoa deve avaliar se realmente precisa daquilo ou se está comprando por fatores como baixa autoestima e status e se é capaz de pagar à vista.

“Estabeleça seus sonhos – pelo menos três e que sejam de curto, médio e longo prazo – e comece a poupar mensalmente para todos eles. Assim, você criará o hábito de poupar para conquistar aquilo que deseja e terá uma vida de constantes realizações”, explica Reinaldo.

Fotos: Getty Images