Como utilizar o cartão de crédito com sabedoria?

Por Patricia Machado em 07/08/2017

O cartão de crédito é uma das principais modalidades de pagamento. A facilidade permite que as pessoas não precisem ter dinheiro na carteira ou folhas de cheque. De acordo com uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz, o cartão de crédito foi utilizado por cerca de 52 milhões de brasileiros em 2015.

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No entanto, a facilidade de obtenção de crédito faz com que muitas pessoas abusem deste meio de pagamento e, sem dinheiro para quitar o valor da fatura, começam a se endividar. “As pessoas ainda têm dificuldade para manter o controle orçamentário, principalmente porque o país está passando por um momento de dificuldade. Isso acaba ocasionando escassez de recursos no bolso do consumidor”, explica Sandro Roque, diretor executivo do Sicoob UniMais, instituição financeira cooperativa.

Por causa disso, o cartão de crédito deve ser compreendido como um facilitador e não como um complemento da sua renda. “É um grande erro incorporar o valor do limite do cartão de crédito à renda. Quando isso acontece, a pessoa não terá recursos para pagar a fatura porque nunca teve esse dinheiro”, afirma Renata Reis, coordenadora das áreas técnicas do Procon-SP.

Para controlar as dívidas feitas com cartões de crédito, até abril deste ano, muitas pessoas optavam pelo pagamento mínimo da fatura e pelo parcelamento do montante. Mas, o Banco Central modificou as regras de pagamento para reduzir a inadimplência e evitar o superendividamento.

A nova determinação fez com que os clientes tivessem restrições para acessar o crédito rotativo, que é conhecido como pagamento mínimo da fatura. A partir de agora, o consumidor só poderá utilizar o crédito rotativo, que é o equivalente a 15% da fatura, por 30 dias. Após esse prazo, ele precisará pagar a dívida à vista ou negociar um financiamento com a administradora do cartão de crédito.

O cartão de crédito deve ser compreendido como um facilitador e não como um complemento da renda

“Caso a pessoa não consiga pagar a fatura do cartão de crédito, ela correrá o risco de acumular dívidas que vão além da sua capacidade de pagamento”, diz Sandro. Além disso, os juros do cartão de crédito são os mais altos do mercado. Segundo dados do Banco Central, a taxa dos juros rotativos chegou a 484,6% no ano passado. “As novas normas não trazem benefícios comerciais para o consumidor”, garante Renata.

Por causa disso, caso ocorra o endividamento, a orientação é rever os gastos e procurar um tipo de empréstimo que tenha juros menores que os do cartão de crédito. Esse dinheiro deverá quitar o cartão. No entanto, o empréstimo só valerá a pena se as parcelas couberem no orçamento.

Como utilizar o cartão de credito e evitar o endividamento?

Atualmente, o consumidor pode encontrar dois tipos de cartão de crédito: o básico e diferenciado. A segunda opção está ligada a um programa de benefícios, como as milhas aéreas, e costuma ter uma anuidade mais alta. Por isso, o primeiro passo é analisar o melhor tipo de cartão para a sua realidade. “As pessoas devem conhecer o seu perfil e se questionar se utilizam todos os benefícios. Se você não costuma viajar com frequência, talvez seja um gasto desnecessário ter um cartão com alta anuidade que ofereça o programa de milhas”, orienta Renata.

O próximo passo é analisar o limite dos cartões de crédito. Ao optar por ter mais de um um cartão, saiba que o limite de todos deve ser capaz de caber no seu orçamento. “Ter mais de um cartão de crédito não é aconselhável porque isso aumenta as chances da pessoa extrapolar nos gastos e ficar endividada”, explica Renata.

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Outra dica é avaliar a possibilidade de realizar o pagamento das compras à vista ao invés de parcelar o valor. O relatório realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito revelou que cerca da metade (47%) das pessoas que utilizam cartões de crédito parcelam as compras pelo menos uma vez ao mês, principalmente no caso de roupas (48%), calçados (44%) e eletrodomésticos (44%).

“O parcelamento só valerá a pena se não tiver juros. Além disso, a pessoa precisa ter a consciência de que o valor da parcela será embutido na fatura dos próximos meses”, avalia Renata. “Ao poupar para pagar a vista, o consumidor cria o hábito de conhecer a sua realidade financeira e ainda pode barganhar por descontos no momento da compra”, completa.

Fotos: Getty Images