Seis erros que comprometem o planejamento financeiro dos prédios

Por Mariana Castro em 19/05/2017

Administrar um condomínio residencial não é tarefa fácil e problemas em sua infraestrutura podem afetar diretamente a vida de seus moradores. Por isso, os condôminos, síndico e a administradora do prédio devem ficar muito atentos ao planejamento financeiro desse.

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É necessário analisar constantemente as contas do edifício para identificar oportunidades de racionalização de despesas. Afinal, ninguém gosta de pagar valores altíssimos de condomínio para não usufruir plenamente de seu patrimônio. Por isso, a administradora paulistana Lello Condomínios indicou seis erros que comprometem o planejamento financeiro dos prédios. Confira:

#1 Desconsiderar a tendência à inadimplência

Altos índices de inadimplência, acima de 4%, comprometem o fluxo de caixa dos condomínios. Se o problema não for identificado e rapidamente solucionado, através de acordos amigáveis, encaminhamento de boletos para protesto ou, ainda, cobrança por via judicial, o condomínio terá dificuldades para pagar suas contas.  Ele terá que usar recursos do fundo de reserva para realizar o pagamento de despesas correntes, o que é muito ruim para o prédio porque significa retirar o dinheiro planejado para obras de reforma, modernização e melhorias do condomínio. “Assim, a manutenção e a atualização do empreendimento ficam comprometidas, com consequente desvalorização dos apartamentos”, falou Angelica Arbex, gerente de Relacionamento com o Cliente da Lello.

#2 Não fazer poupança para manutenções preventivas

O condomínio deve planejar as despesas de manutenção preventiva para que tudo no empreendimento funcione bem: piscinas, elevadores, brinquedoteca, quadra e iluminação, entre outros. É importante lembrar que corrigir problemas emergenciais custa cerca de cinco vezes mais do que ter um plano integrado de manutenção corretiva, com recursos já calculados para tal finalidade.

#3 Não considerar o aumento salarial e o décimo-terceiro dos funcionários

Todos os anos, em outubro, há o dissídio dos funcionários do condomínio. Já em novembro e dezembro, eles recebem o décimo-terceiro salário, e ainda há o pagamento de juros sobre essa despesa. Condomínios que não fazem o planejamento desses pagamentos, sofrem com o aumento expressivo das despesas de fim de ano, que é de cerca de 15%. “A folha de pagamento representa cerca de 50% das despesas totais de um condomínio. Qualquer impacto nesta área tem consequências no orçamento do prédio”, lembrou Angelica.

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#4 Considerar pagamentos antecipados como receita do mês

Alguns moradores pagam o condomínio antecipadamente, fora do mês de vencimento. Isso acontece porque é prática cada vez mais comum que o condômino receba o boleto com antecedência, para estimular o pagamento em dia. A prática pode gerar a sensação de que há excesso de recursos e se o condomínio não calcular que é apenas um adiantamento, pode gastar o dinheiro antes. Desta forma, o fluxo de caixa do prédio pode ser comprometido mais para frente.

#5 Falar do orçamento do prédio somente na assembleia de moradores

A assembleia ordinária acontece apenas uma vez por ano. Abordar a questão orçamentária apenas nessa oportunidade é muito pouco, não mobiliza e não gera engajamento. “O debate sobre o orçamento deve ser detalhado e amplo. Quanto mais informações compartilhadas, mais os condôminos têm a sensação de gestão participativa e mais integrada fica administração do prédio”, diz a gerente da Lello.

#6 Fazer muitas reformas de uma só vez

Um erro muito comum, principalmente entre síndicos que se elegem pela primeira vez, é querer fazer tudo de uma vez, sem respeitar o planejamento financeiro. “Sem planejamento e organizações as coisas começam e não terminam, e o trabalho do síndico não é percebido nem valorizado pelos moradores”, concluiu Angelica.

Foto: Getty Images